segunda-feira, 24 de abril de 2017

Mensagem de Srila Bhakti Aloka Paramadvaiti Maharaj, fundador da VRINDA Mission e Facilitador da World Vaishnava Association


Recebi com grande dor a maravilhosa notícia de que nosso querido Guru Ji voltou para a Nitya Lila de Sri Sri Radha Krishna. Não há comparação com o quão misericordioso ele era - perdemos um santo, bem como o presidente da World Vaishnava Association, serviço mantido por mais de 15 anos.
Todos os membros devotos da Família Vrinda oferecem suas reverências a Param Pujyapad Srila Bhakti Ballabh Tirth Goswami Maharaj e a todos os seus amados irmãos espirituais e discípulos. Agora, ele pode se reunir com seu amado Srila Gurudeva Param Pujyapad Srila Bhakti Dayita Madhav Goswami Maharaj.
Informamos que em todos os nossos templos ao redor do mundo serão simultaneamente realizados festivais em honra ao seu desaparecimento no mesmo dia em que esse estiver sendo realizado em Mayapur.

Aspirando a ser um servo do servo dos servos.
Swami B.A. Paramadvaiti

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Aparecimento de Sri Shyamananda Pandita

Extraído de "Sri Chaitanya: His Life & Associates" por Srila Bhakti Ballabh Tirtha Maharaj


Shyamananda encontra a tornozeleira de Srimati Radharani
Sri Shyamananda Prabhu foi servo de um servo de Subala em Krishna-lila. Era discípulo de Hridayananda ou Hriday Chaitanya, esse discípulo de Gauri Das Pandit. Gauri Das é Subala em Krishna-lila.

yam loka bhuvi kirtayanti hridayanandasya shishyam priyam
sakhye shri-subalasya yam bhagavatah preshthanushishyam tatha
sa shriman rasikendra-mastaka-manish citte mamaharnisham
shri-radhapriya-narma-marmasu rucim sampadayan bhasatam


Sri Shyamananda é conhecido neste mundo como um discípulo querido de Hridayananda; grandioso discípulo de Subala Sakha, o mais querido amigo do Senhor Supremo; ele é a joia dos apreciadores do êxtase sagrado. Que ele apareça dia e noite em minha mente, trazendo uma apreciação da essência das alegrias do amado de Sri Radha.
(Shyamananda-shataka)

Shyamananda Prabhu nasceu em uma noite de lua cheia de Chaitra em 1456 da era Shaka (1534 d.C.) na cidade de Dharenda Bahadurpura, próximo a estação de trem Kharigapura em Medinipura. Seus pais são Sri Krishna Mandala e Durika. A cidade natal de Krishna Mandala é Dandeshvara, localizada às margens do rio Suvarnarekha. A instrução a seguir é encontrada no  Gaudiya Vaishnava Abhidhana: “Sri Krishna Mandala vivia em um local chamado Ambuwa, próximo à Dandeshvara. Anteriormente, viveu em Gauda (parte da Bengala localizada às margens do rio Bhagirathi) e só mais tarde mudou-se para Dandeshvara, hoje fronteira de Orissa. Os discípulos de Shyamananda estabeleceram cinco principais postos nas cidades de Dharenda, Bahadurapura, Rayani, Gopiballabhapura e Nrisinghapura.”
Shyamananda Prabhu nasceu na subcasta Sadgopa, que se encaixa na categoria de jala-cala, ou seja, brahmanes que são autorizados a levar a água tocada por seus membros. Logicamente,  um Vaishnava está além das qualidades materiais e pode nascer em uma família de qualquer raça ou casta. Aquele que pensa mal dos Vaishnavas ou os julga com base em sua ração ou casta está destinado ao inferno.

arcye shiladhir gurushu naramatir vaishnave jati-buddhir
vishnor va vaishnavanam kali-mala-mathane padatirthe’mbubuddhih
shrivishnor namni mantre sakala-kalushahe shabda-samanya-buddhir
vishnau sarveshvareshe tad-itara-samadhir yasya va naraki sah


Aquele que considera a deidade uma mera pedra, o guru um ser humano comum, ou o Vaishanava um membro de uma determinada casta ou raça, que considera a água sagrada que banhou Vishnu ou os pés de um Vaishnava e pode destruir todos os pecados da era de Kali, uma água comum, que pensa que o nome ou mantra de Visnhu, que destrói todos os males, é igual a qualquer outro som, ou aquele que considera Vishu igual a qualquer outro, possui uma natureza infernal.
(Padma-purana)

Aquele que nasce em uma família de classe baixa não é desqualificado para praticar serviço devocional, nem aquele que nasce em uma família brahmínica de classe elevada ou pura é automaticamente qualificado para tal serviço. Qualquer um que se engaje na adoração do Senhor é uma grande pessoa; quem não O adora é rejeitado.
(Chaitanya Charitamrita 3.4.66-7)

na me bhaktash caturvedi mad-bhaktah shvapacah priyah
tasmai deyam tato grahyam sa ca pujyo yatha hy aham
Apenas conhecer os quatro Vedas não torna ninguém um devoto. Uma pessoa sem casta que é meu devoto é querida por mim. Devemos trocar presentes e alimentos, etc., com tal devoto porque ele é tão venerável quando Eu.
(Citação do Haribhaktivilasa.)

Antes do nascimento de Shyamananda, seus pais perderam vários filhos e juraram entregar seu próximo filho a Visnhu, caso ele sobrevivesse. Tendo sofrido tanto com essas perdas, o primeiro nome de Shyamananda foi Duhkhi, ou “infeliz”, para afastar uma posterior angústia.

Durika e Sri Krishna Mandala, pais de Shyamananda, mudaram-se para Dandeshvara. Seu pai era o melhor da casta Sadgopa, de caráter impecável. Krishna era tudo para ele e os devotos de Krishna são muito queridos. Não descreveremos as virtudes dos seus pais devido ao receio de aumentar o volume desse livro. Mas eles viveram anteriormente em Dharenda e Bahadurapura e algumas pessoas diziam que Shyamananda havia nascido ali. Nada podia impedir o seu nascimento, e ele nasceu após seus pais perderem muitos outros filhos. Devido a suas perdas anteriores, os seus pais o receberam com tristeza e o chamaram de Duhkhi.
(Bhakti-ratnakara 1.351-5, 359)
Sri Shyamasundara, a deidade adorada de Shyamananda

Seus pais realizaram todos os rituais apropriados, como a primeira ingestão de alimentos sólidos, corte do cabelo etc. Conforme crescia, passou a estudar a gramática do sânscrito. Seus pais ficaram muito felizes ao observar seus talentos e tendência religiosa. Após ouvir atentamente dos devotos as glórias de Gauranga e Nityananda, repetia-as para outras pessoas. Ao ouvir as atividades de Gaura-Nitai ou de Radha e Krishna, lágrimas fluíam como ondas de seus olhos. Também servia dedicadamente seus pais e eles lhe disseram para receber iniciação para se comprometer plenamente com o serviço ao Senhor. Duhkhi concordou e disse a eles que desejava receber disksa de Hriday Chaitanya, discípulo de Gauri Das Pandita, associado de Nityananda e Gauranga. Ao ir para Kalna com esse propósito, ele também teria a boa fortuna de ver o Ganges e nele se banhar, e por isso, seus pais alegremente o autorizaram a partir.


Ao chegar em Ambika Kalna, se prostrou aos pés de Hriday Chaitanya, que após conhecê-lo, com felicidade lhe entregou o mantra de Krishna e lhe deu o nome de Krishna Das. A partir desse momento, Duhkhi passou a ser conhecido como Duhkhi Krishna Das. Hriday Chaitanya ordenou-lhe que fosse para Vrindavana praticar bhajana. Embora ele não gostasse de se separar de seu Gurudeva, Duhkhi Krishna Das partiu para Vraja, primeiramente visitando Navadwipa e outros locais em Gauramandala, onde buscou as bênçãos dos Vaishnavas. Por fim, após passar muito tempo em peregrinação, chegou à Vrindavana, onde tornou-se completamente absorto na adoração à Radha e Shyamasundar.

Em Vrindavana, Duhkhi Krishna Das estudou as escrituras Vaishnavas sob a guia de Sri Jiva Goswami, erudito proeminente da sampradaya. Hriday Chaitanya ao ouvir sobre o entusiasmo com o qual Duhkhi Krishna Das estava conduzindo sua vida devocional em Vraja, escreveu uma carta para Jiva Goswami dizendo que Duhkhi deveria considerar Jiva uma extensão de si mesmo. Jiva concedeu títulos para seus três alunos mais proeminentes, Srinivas, Narottama e Duhkhi Krishna Das, concedendo o nome de Shyamananda ao último. O motivo desse nome é que porque ele proporcionou muita alegria à Radha e Shyamasundara.

Enquanto em Vrindavan, recebeu o nome de Shyamananda por ter proporcionado muito alegria a Shyamasundra. Jiva ao observar suas atividades encantadoras, manteve-o por perto e o instruiu nas escrituras Vaishnavas.
(Bhakti-ratnakara 1.401-2)

Jiva Goswami enviou Srinivas Acharya, Narottama Das Thakur e Shyamananda para a Bengala com as escrituras Vaishnavas em 1504 da era Shaka (1582-3 d.C.). A ideia era difundir os ensinamentos encontrados nesses livros por toda a Bengala e Orissa. Os eventos ocorridos após Vira Hambira pegar os os livros roubados em Vishnupura constam no capítulo sobre Srinivas Acharya.
Narottama partiu rumo ao norte da Bengala e Shyamananda para Orissa. Nesta época, o distrito de Midnapore estava sob o domínio do rei de Orissa. Atualmente, há um braço da Gaudiya Math na cidade de Midnapore com o nome de Shyamananda Gaudiya Matha a fim de preservar sua memória sagrada.

A misericórdia especial de Radharani com Shyamananda
Shyamanda devolve a tornozeleira para Srimati Radharani
Embora Shyamananda Prabhu fosse um discípulo iniciado de Hriday Chaitanya, seu guru confiou os seus cuidados a Jiva Goswami Prabhu. Através da associação e do serviço prestado a Jiva, Shyamananda desenvolveu um gosto por servir Radha e Krishna no humor conjugal. Hriday Chaitanya Prabhu era discípulo de Gauri Das Pandit, um dos doze Gopals, Subala Sakha. Ele adorava Gaura-Nitai no amor de amizade. Aqueles que pensam que Shyamananda cometeu ofensa contra o seu mestre espiritual por abandonar esse humor e por tentar servir diretamente Krishna em um humor mais elevado, estão errados. O humor de amizade está dentro do humor conjugal. Se um discípulo progride mais na vida espiritual, ele aumenta a reputação do seu mestre.

Um incidente extraordinário, ocorrido em Vrindavana antes de Jiva ordená-lo a voltar para Orissa, demonstra o quão Shyamananda era querido por Radharani. Certo dia, Shyamananda Prabhu estava varrendo a Rasa-mandala em Vrindavan, absorvido em transe extático. De repente, por misericórdia transcendental de Radharani, encontrou sua tornozeleira caída no chão. Em êxtase, colocou a peça na sua testa, o que deixou uma marca, até hoje preservada pelos discípulos descendentes de Shyamananda. Ela é conhecida como nupura-tilaka. 


A pregação de Shyamananda Prabhu

Narottama Thakur e Shyamananda pregaram especialmente a mensagem de Mahaprabhu através de kirtanas. Srinivas cantava os kirtanas em um estilo chamado Manohara-sahi, Narottama em Gariana-hati e Shyamananda em Reneti. Ele encantava os os ouvintes com seu canto sincero de kirtana. Estes estilos já não existem mais.
Como resultado da sua pregação em Orissa, muitos muçulmanos se tornam discípulos de Shyamananda. O mais importante dos seus inúmeros discípulos foi Rasika Murari. Rasikananda era filho de Achyutananda, o zamindar da vila Rohini. Ele tinha outro nome, Murari, portanto, era mais comumente conhecido como Rasika Murari. Ele era um pregador muito poderoso, e sua fama ainda é difundida nas vilas de Orissa. Uma lista com alguns dos proeminentes discípulos de Shyamananda  é citada no Bhakti-ratnakara:

Shyamananda fez discípulos em todos os lugares. Uma pessoa pode ser purificada por ouvir seus nomes: Radhananda, Purushottam, Manohara, Cintamani, Balabhadra, Jagadishvara, Uddhava, Akrura, Madhuvana, Govinda, Jagannath, Gadadhara, Anandananda e Radhamohana. Shyamananda estava constantemente imerso nas alegrias de kirtana na associação desses discípulos. Poetas descreveram seus passatempos maravilhosos para o prazer de todos.
(Bhakti-ratnakara 15.62-66)

Além destes discípulos, Shyamananda converteu um yogi chamado Damodara. Narahari Chakravarti  escreveu o seguinte relato sobre essa conversão:

Havia um praticante de yoga chamado Damodara. Shyamananda misericordiosamente inundou-lhe com rasa devocional. Após se tornar seu discípulo, Damodara chorou e cantou os nomes de Nitai-Chaitanya. Ele permanecei intocado pela sua absorção em êxtase. Ele dançou, clamando "Bhakti é o melhor de todos!" Após liberar Damodara, Shyamananda continuou viajando, distribuindo a joia da devoção para todos.
(Bhakti-ratnakara 15.55-8)
Tilaka-sthana, local de manifestação da tilaka de Shyamananda
Shyamananda realizou um grande festival em Dharenda com Rasika Murari e Damodara, ainda lembrado nos dias de hoje. Ao deixar este mundo, Shyamananda entregou o serviço de Govinda em Gopivallabhapura. Os discípulos de Shyamananda e seus descendentes ainda adoram sua deidade de Radha-Shyamasundara em Vrindavana. Este templo é um dos principais locais de peregrinação em Vrindavana.
Shyamananda Prabhu viveu seus últimos dias em Nrisinghapura em Orissa, onde continuou pregando o Vaishnavismo. Seus passatempos terrenos chegaram ao fim no primeiro dia da lua minguante no mês de Asharh, em 1552 da era de Shaka (1630 d.C.).




Leia mais sobre Sri Rasikananda Deva Goswami

Tradução: Madhukari Radhika devi dasi
Revisão: Ramananda das (Felipe D’Aviz)
Fonte: BVML

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Sua pregação não é diferente de sua conduta

Srila Gurudeva recebendo as bênçãos de Srila Bhakti Pramode Puri Goswami Maharaj    

O fundador-acarya da Gopinath Gaudiya Math, Srila Bhakti Pramode Puri Goswami Maharaj, considerado uma personalidade marcante neste mundo, certa vez comentou: “Todos os Gaudiya Vaishnavas, sannyasis e santos fazem parte do meu corpo, mas Srimad Bhakti Ballabh Tirtha Maharaj é o centro do meu coração.”

Somos levados a pensar como ele ganhou o seu coração desta maneira. E isso ocorreu apenas devido à sua atitude de serviço dedicado desde seus primeiros anos de vida até hoje.

Guruji enfatiza a prática das instruções das escrituras antes de pregar a terceiros. Ele diz que, “Não me siga, siga apenas minha aula”, aplica-se apenas ao mundo da política. Quando se trata de pregação sobre o dharma, diz que nossas palavras só se tornam impactantes na medida em que nós as seguimos em nossas vidas. A pregação sem conduta é inerte. Torna-se apenas um entretenimento, e ninguém se beneficiará através dela.

- Sri Bhakti Bibudh Muni Maharaj (2015)

Tradução: Madhukari Radhika devi dasi
Revisão: Ramananda das (Felipe D’Aviz)
Fonte: tirthagoswami



terça-feira, 4 de abril de 2017

Sua vida de serviço é uma luz brilhante em um mundo de escuridão



Sua Santidade Srila Bhakti Ballabh Tirtha Goswami Maharaja,

Presto reverências e prostro meu corpo aos seus pés de lótus.

Sinto-me grato por ter sido convidado a compartilhar meu coração na sagrada ocasião de seu Vyasa Puja.
Estou relembrando os tempos preciosos que passamos juntos, algumas vezes nas colinas de Sri Brajabhumi e outras vezes nas colinas de Marin County, na Califórnia. Independentemente do mundo em que você esteja, está sempre absorto em dissipar equívocos materialistas e impersonalistas, enquanto compartilha o amor do seu coração pelo serviço divino de Sri Guru e Sri Gauranga.

Todos nós fomos abençoados por sua humildade sincera, profunda sabedoria dos Bhakti Sastras e profunda compaixão por todas as entidades vivas.

A sua vida de serviço amoroso é uma luz brilhante que revela para as pessoas neste mundo de escuridão, o fluxo infinito de graça que está sempre descendo dos corações de Sri Sri Radha Gopinath e inunda o mundo através dos misericordiosos Acaryas do nosso Gaudiya Parampara. Neste dia sagrado de seu Vyasa Puja, ofereço-lhe minha gratidão mais sincera.

Seu servo,
Radhanath Swami

Tradução: Madhukari Radhika devi dasi
Revisão: Ramananda das (Felipe D’Aviz)
Fonte: tirthagoswami

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Foi uma grande fortuna estar sob seus cuidados


Eu tive a boa fortuna de ter a associação de Srila Bhakti Ballabha Tirtha Maharaja. Seu mestre espiritual, Sua Divina Graça Srila Bhakti Dayita Madhava Maharaja foi gentil o bastante para me permitir ficar no seu ashram em Calcutá. Ele pessoalmente me colocou sob os cuidados de Sua Divina Graça Srila Bhakti Ballabha Tirtha Maharaja enquanto lá estive.

Posteriormente, Sua Divina Graça Bhakti Dayita Madhava Maharaja tornou-se trustee da AC Bhaktivedanta Swami Charity Trust. Após a sua partida para o mundo espiritual, Sua Divina Graça Bhakti Ballabh Tirtha Maharaja foi gentil o bastante em continuar sendo o trustee da AC Bhaktivedanta Swami Trust.

Era costume falar um pouco de Harikatha quando nos encontrávamos nessas reuniões. Ele falava para que nos lembrássemos de que o principal propósito da Consciência de Krsna é servir o Pancha Tattva com palavras, pensamentos e ações.

A partir de então, ano após ano, eu me encontrava com ele para elaborar estratégias para preservar os locais sagrados da nossa cultura.

Era interessante ver e também muito excitante como Srila Bhakti Ballabh Tirtha Maharaja pregava em muitas partes da Índia e também no exterior. Ele tinha seus seguidores em Punjabi e em outros estados distantes da Índia e também pregava na Rússia e em outros lugares.

Era muito bom ver como ele tinha um espírito de pregação bastante ativo. Tive a fortuna de visitar Sua Divina Graça Bhakti Ballabh Tirtha Maharaja na ocasião do seu quinquagésimo aniversário de sannyasa e também em outras ocasiões em que ele nos recebeu nos seus aposentos privados para conversar sobre bhakti yoga, o desenvolvimento de Navadvipa Dhama e a expansão da cultura de Gauranga em todo o mundo.

Ter sua associação deixou uma grande impressão sobre mim. Era nítido que ele era muito dedicado em espalhar a mensagem do Senhor Caitanya. É com grande entusiasmo e respeito que ofereço esta mensagem aos seus pés de lótus na ocasião da celebração do seu Vyasa Puja.


-Vaisnavadasanudas
 tridandi bhikshu Jaypataka Swami

(transcrito por EGD-JPS-SEC)
É nítido que Srila Gurudeva honrou a ordem de Param Gurudeva de cuidar de Jayapataka Swami por toda a sua vida. Ele também continuou servindo no comitê da Sri AC Bhaktivedanta Swami Charity Trust até os seus passatempos recentes o retirarem da interação externa. Sri Jayapataka Swami Maharaj também visita ocasionalmente Srila Gurudeva na matha de Calcutá.

Tradução: Madhukari Radhika devi dasi
Revisão: Ramananda das (Felipe D’Aviz)

domingo, 2 de abril de 2017

Seu abraço é como estar nos braços da divindade


Certa vez, um devoto veio até mim e me perguntou se eu conhecia algum devoto puro. Eu disse que com Srila Tirtha Maharaj não é possível errar. Dandavat pranams. Por favor, abençoe-nos para que nos tornemos um servo digno do nosso siksa-guru.

É impossível imaginar a graça de sua divina graça. Ao chegar em Mayapur, eu o conheci saindo do samadhi de Srila Bhakti Dayita Madhava Maharaj.

Ao vê-lo, senti a sensação de estar em casa. Mas quando ele reconheceu a minha presença e veio me abraçar, senti como se estivesse nos braços da própria divindade. Nenhuma palavra é capaz de descrever isto — um abraço dos céus em uma alma caída. Tudo o que senti foram lágrimas pressionando meus olhos. Nós relembramos muitos momentos como esse em que sentimos um profundo amor e cuidado com todos.

Srila Tirtha Maharaj é um líder a sua própria maneira— com uma devoção direcionada ao serviço dedicado ao primeiro e único Senhor do amor e seu servo rendido. Também me lembro de sua eloquência e estilo ao pronunciar as orações e ao oferecer pranams após o kirtan.

Ele é único. Amor e carinho são sua marca registrada. Lembro de conhecer Krishna Murti Prabhu da Venezuela com um grande grupo de devotos em Mayapur que veio se abrigar em Sua Divina Graça. Que alegria! Agora, Guru Maharaj havia adentrado a América do Sul.

Meu amor e respeito a todos os seus discípulos e irmãos espirituais. Me prostro aos seus pés. Os passatempos de Gurudeva de estar conosco nos dias de hoje são profundamente comoventes. Ele está nos dando liberdade enquanto os assiste de dentro.

Pranams dandavat especiais a todas as almas que estão com Gurudeva e os ajudam em todos os seus serviços pessoais. Por favor, abençoe-nos para que nos tornemos seus servos dignos, nosso amado siksa-guru.

— Srila Bhakti Aloka Paramadvaiti Maharaj, fundador da 
VRINDA Mission e Facilitador da World Vaishnava Association
Oferenda para o Vyasa Puja de 2015


Tradução: Madhukari Radhika devi dasi
Revisão: Ramananda das (Felipe D’Aviz)
Fonte: tirthagoswami


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Giriraja-Govardhana (Manual de Kartik)

Giriraja-Govardhana


Aparecimento de Govardhana e o nome de “Giriraja”

O aparecimento de Sri Govardhana nesse mundo e como Ele adquiriu o nome de "Giriraja" é descrito no Garga-samhita (Vrindavana-khanda, capítulo 2) de Sri Gargacarya na conversa entre Nanda Maharaja e o seu conselheiro senior, o gopa Sananda. Sananda falou a Nanda Maharaj citando como referencia a conversa entre Pandu e Bhisma.

Desejando aparecer nesse mundo para aliviar do fardo da terra dos pecados cometidos pelos demoníacos, Sri Krishna indicou a Radhika que aparecesse nesse mundo. Entretanto, Radharani expressou Sua falta de vontade de ir a um lugar onde Vrindavana, Yamuna e Sri Govardhana não estivesse presentes. Sri Krishna então enviou Seu próprio reino transcendental espiritual de Vraja-dhama, uma área de 84 krosha ou 252 kilometros (1 krosha é igual a 3 kilometros), para descender na Índia, nesse mundo. Vraja-dhama não é parte do mundo material consistindo de terra, água, fogo, ar e éter. Govardhana apareceu como o filho da montanha Drona na Ilha Shalmali na Índia ocidental. Todos os semideuses estavam extremamente felizes com o aparecimento de Govardhana e derramaram flores.

Todas as grandes montanhas como os Himalayas e o Sumeru ficaram felizes ao ouvir do aparecimento de Govardhana e Lhe adoraram. Em suas orações elas disseram, "Uma vez que Govardhana é o local sagrado dos passatempos do Senhor Supremo Sri Krishna no doce reino transcendental de Goloka, ele é o rei de todas as montanhas e a coroa de Goloka. Ele é como um guarda-chuva para Parabrahman Sri Krishna e Vrindavana está dentro da sua cobertura." Desde então, Govardhana ficou conhecida como "Giriraja".

Pulastya Muni é um dos filhos de Brahma nascidos da mente, conhecidos como Manasa-Putra. Uma certa vez, Pulastya Muni estava viajando em peregrinação e veio a Ilha Shalmali. Lá, ele ficou maravilhado e espantado ao ver a beleza extraordinária da montanha Govardhana, adornada com uma variedade de frutas e árvore de flores, lugares agradáveis para sentar, mananciais, rabanetes, grama macia, etc. Quando Pulastya Muni se aproximou de Dronacala, ele foi adorado por Dronacala. Pulastya Muni disse a Drona. "Eu vivo em Kashi que tem uma importância especial devido a presença do Ganges e Visheshvara Mahadeva. Os pecadores vão lá para obter a salvação, mas meu desejo é executar austeridades aqui depois de instalar Govardhana".

Apesar de estar extremamente preocupado devido a sua afeição para com a criança, Dronacala estava temeroso de ser amaldiçoado por Pulastya Muni e indicou a criança para ir para terra santa de Bharata (Índia) com o Muni. Inicialmente, Govardhana era 64 milhas de comprimento, 40 milhas de largura e 16 milhas de altura [O comprimento atual de Govardhana é aproximadamente 7 milhas].  Surgiu então a questão de como Pulastya Muni ia carregar a grande montanha Govardhana. Pulastya Muni disse que ele podia carregar facilmente a montanha na palma de sua mão. Govardhana concordou em ir com o Muni na condição que se ele colocasse ele em qualquer lugar no chão enquanto estivessem indo, Govardhana iria ficar lá devido ao seu grande peso e não iria se mover. Pulastya Muni aceitou a condição e prometeu carregar a montanha para o destino sem a colocar na terra. O Muni começou a se mover lentamente para seu destino enquanto carregava Govardhana na palma de sua mão direita. Mas quando o Muni chegou em Vraja-dhama, Govardhana viu o Yamuna e Vrindavana e se lembrou dos doces passatempos de Krishna. Ele queria permanecer ali e então se tornou muito pesado. O Muni ficou muito angustiado e esquecendo de sua promessa, pôs a montanha na terra. Depois de terminar sua evacuação diária, banho e sandhya-puja (recitação silenciosa de orações), Pulastya Muni retornou ao local e pediu a Govardhana para sentar na palma de sua mão. Entretanto, Govardhana expressou Sua relutância em se mover. Pulastya Muni tentou ao máximo levantar a montanha, mas era impossível move-La. Ele ficou furioso e amaldiçoou Govardhana que Ela iria diminuir em tamanho todos os dias na medida de um grão de semente de gergelim.

A Govardhana atual diminuída é por volta de 7 milhas de comprimento. Pelo tempo que Govardhana existir, a era negra atual de Kali-yuga não será capaz de mostrar seu poder proeminente. Mas depois de milhares de anos, quando Govardhana e o Yamuna tiverem desaparecido, Kali Maharaj irá estar muito forte e todos os seres humanos serão oprimidos e torturados ao extremo. A condição dos seres humanos será precária.

Pulastya Muni carregando Govardhana
Govardhana-Dharan-Lila (O levantamento de Govardhana)

O próprio Senhor Supremo Original Sri Krishna revelou os aspectos ontológicos e as glórias de Sri Govardhana. Foi especialmente narrado na civilização e na história mais antiga da Índia mencionada no Rig Veda que Indra, a deidade que preside as nuvens, era adorado na Terra para que as plantações pudessem crescer e serem reanimadas pela chuva. Nós ouvimos do Srimad-Bhagavatam que de acordo com a tradição humana e o costume, a adoração anual de Indra era introduzida em Vraja-dhama para que pudesse haver cultivo da terra e proteção das vacas. Esse era o único meio de se manterem para os residentes de Vraja-dhama.

Sri Krishna viu que Seu pai Nanda Maharaja e outros vaqueiros tinham coletado muitos itens para o Indrayag (cerimonia de oferenda em adoração a Indra). Sri Krishna pediu a Seu pai sobre a utilidade de executar tal função. Nanda Maharaja disse que se Indra, a deidade que preside as nuvens fosse propiciado, haveria uma chuva no tempo apropriado. Portanto, plantações de arroz e capim cresceriam e aquilo ia ser de ajuda para a subsistência das vacas. Nanda Maharaja novamente disse, "Se nós negligenciarmos em executar nossos deveres e costumes hereditários, nós nunca iremos obter um bem estar eterno." Depois de ouvir isso do Seu pai e outro vaqueiros, afim de enfurecer Indra, Sri Krishna  fez os Vrajavasis (residentes de Vraja) entenderem a futilidade da adoração a Indra e lhes convenceram da eficacia de adorar Govardhana. "Indra é um semideus sem qualquer posse dos frutos das ações. Ele não pode conceder um fruto ruim para uma boa ação e bom fruto para uma ação ruim. Nascimento e morte, felicidade e aflição são devido as ações das almas individuais. Mesmo ações mundanas são a causa da inimizade, amizade e indiferença. Indra não pode desfazer os frutos das ações. Apesar do cultivo, comércio, proteção as vacas e empréstimo de dinheiro são os meios de vida dos vaishyas (a classe comerciante da sociedade), os Vrajavasis somente aceitaram a proteção as vacas como seu meio principal de substância. Os residentes de Vrajadhama vivem nas florestas e montanhas; portanto, cidades, habitações humanas lotadas e casas não eram boas para eles. Portanto, eles deviam começar uma oferenda para a adoração de vacas, brahmanas e montanhas. Tal como uma moça incasta que deixa seu marido não pode obter um bem estar por servir outra pessoas, de maneira similar, os Vrajavasis não podem obter seu bem estar real ao servir outros. deixando o serviço de Giriraja Govardhana, que é nosso verdadeiro abrigo."

Krishna aconselhou os vaqueiros de Vraja-dhama a adorarem Giriraj Govardhana com todos os itens coletados para o Indrayag. Ele também lhes aconselhou a trazerem leite, iogurte e outros produtos lácteos para cozinhar diferentes preparações de alimentos, como: Payasa (preparação de leite, arroz e açucar). Mudgasupa (sopa preparada com um tipo de ervilha), Pistaka e Shaskuli (preparações doces feitas de arroz, coco, açúcar e leite). Krishna também lhes indicou o método de adoração de Giriraj Govardhana: " Deve-se realizar pela cerimonia de doação as vacas e Giriraj-Govardhana, oferecendo honras aos brahmanas védicos que irão executar as oferendas. Os brahmanas devem ser servidos com boas preparações de alimento.  Depois disso, todos os outros, incluindo os candalas (a casta mais baixa), pessoas caídas e cachorros devem ser servidos com oferendas apropriadas. As vacas devem ser servidas com grama fresca. Após o Govardhana-puja, todos devem ser adornados com ornamentos, boas vestimentas e ungidos deveriam se sentar para honrar prasada. Por ultimo, todos devem circumbular a montanha de Govardhana com as vacas, brahmanas e o deus do fogo."

Sendo encantando e dominado pelo seu profundo afeto paterno, Nanda Maharaja adorou Giriraj Govardhana e todos os brahmanas apropriadamente com todos os itens coletados para o Indrayag, como era ao desejo de seu querido filho Sri Krishna. Depois disso, enquanto serviam as vacas com grama e palha, Nanda Maharaja executou parikrama de Govardhana com todos os gopas e gopis, com as vacas guiando na frente. Todos os gopas e gopis adornados com belos ornamentos e gopis sentadas em carros-boi executaram o Govardhana parikrama enquanto cantavam constantemente as glórias de Krishna. Para proclamar aos Vrajavasis que Giriraja Govardhana não é diferente de Krishna, Sri Krishna pronunciou as seguintes palavras alto e repetidamente: "Eu sou a montanha Govardhana" e começou a comer todas as oferendas dadas a Govardhana ao estender milhares de mãos. Em Sua outra forma como Gopala, o filho de Nanda Maharaja, Krishna fazia reverencias a Sua própria forma manifesta como Govardhana. O próprio Sri Krishna introduziu a prática de fazer reverencias prostradas a Govardhana, bem como circumbular Govardhana. Aqueles que desprezam Govardhana irão ser mortos por Ele na forma de serpentes, etc.

Devaraja Indra, o imperador dos semideuses, se tornou furioso com os Vrajavasis por parar o Indrayag. Indra oprimiu todos os Vrajavasis por chuvas torrenciais e uma forte chuva de granizo que parecia um cataclismo. Todos os Vrajavasis estavam extremamente aflitos e tomaram abrigo de Sri Krishna. Sri Krishna então lhe protegeu ao levantar Govardhana com Sua mão esquerda. Mais tarde, Devaraja Indra pode entender seu erro e veio a Krishna com a vaca Surabhi. Ele adorou Krishna e orou a Ele para esquecer sua ofensa. Giriraja Govardhana é idêntico a Krishna e Ele também é o maior servo de Krishna. Srila Raghunatha Das Goswami ora a Giriraja Govardhana como se segue:   

giri-nrpa! haridasa-shreni-varyeti-nama
mrtam idam uditam sri-radhika-vaktra-candrat
vraja-nava-tilakatve klpta! vedaih sphutam me
nija-nikata-nivasam dehi govardhana tvam
(Sri Govardhana-vasa-prarthana-dashakam, verse 8)


“O Giriraja Govardhana, quando o seu nome nectáreo foi pronunciado pelos lábios de lótus de Srimati Radhika no Srimad Bhagavatam (10.21.18), ‘Hantayam adrir abala hari-dasa-varyah,’ isso é  ‘Ó gopis inocentes e sinceras, essa montanha é a mais elevada entre todos os servos de Sri Hari,' então você é consagrada por todos os Vedas como a nova bela tilaka (marca de pasta de sândalo) de Vraja-dhama, eu portanto oro a você para me conceder um lugar de residencia de próximo a você."


O Senhor Supremo Sri Krishna parou a adoração de semideuses e introduziu a adoração de Govardhana, ou seja, Ele introduziu o serviço de Krishna e Krishna-bhaktas. Um dos significados de Govardhana é aumentar os órgãos dos sentidos, portanto Govardhana-puja significa o aumento dos órgãos dos sentidos espirituais eternos de Krishna e Krishna-bhaktas.

Uma vez que uma porção de vários itens de pratos vegetais cozinhados foram oferecidos a Giriraja Govardhana em Govardhana-puja, esse festival também é conhecido como Festival Annakuta. Sri Govardhana-dhari Gopala foi originalmente instalado por Vraja (o neto de Krishna em Giriraja-Govardhana e filho de Aniruddha). Devido a extraordinária devoção pura de Srila Madhavendra Puripada, Govardhana-dhari Gopala reapareceu em Govardhana perto das margens de Govinda-kunda. Madhavendra Puripada, executou o Festival de Annakuta na Kali-yuga. Esse tópico é narrado em detalhes no Chaitanya-caritamrta (Madhya-lila, cap.4).


Retirado do Kartik Handbook (Manual de Kartik) escrito e compilado por Srila Bhaktiballabh Tirtha Maharaj

Tradução: Ramananda Das