terça-feira, 16 de maio de 2017

Desaparecimento de Sri Ramananda Raya


Extraído de “Sri Chaitanya: His Life & Associates” por Srila Bhakti Ballabh Tirtha Maharaj

[Em 2017, o divino desaparecimento de Sri Ramananda Raya é comemorado em 15 de maio.]

Sri Chaitanya Mahaprabhu encontra Sri Ramananda Raya

priya-narma-sakha kashcid arjunah pandavo ‘rjunah
militva samabhud ramananda-rayah prabhoh priyah
ato radha-krishna-bhakti-prema-tattvadikam kriti
ramanando gauracandram pratyavarnayad anvaham
lalitety ahur eke yat tad eke nanumanyante
bhavanandam prati praha gauro yat tvam prithapatih
gopyarjuniyaya sardham ekibhuyapi pandavah
arjuno yad raya-ramananda ity ahur uttamah
arjuniyabhavat turnam arjuno ‘pi ca pandavah
iti padmottara-khande vyaktam eva virajate
tasmad etat trayam ramananda-raya-mahashayah
Há dois Arjunas em Krishna lila: um deles é um priya-narma-sakha em Vraja, o outro é um dos Pandavas. Esses dois combinados se tornam Ramananda Raya, o companheiro querido de Mahaprabhu. Ele possuía muito conhecimento sobre os ensinamentos da devoção amorosa à Radha e Krishna, e os descrevia diariamente a Gaurachandra. Alguns dizem que Ramananda Raya era Lalita Sakhi, mas há quem discorde. O próprio Mahaprabhu disse a Bhavananda Raya que ele foi Pandu, o marido de Kunti e pai dos Pandavas. O Pandava Arjuna também manifesta-se na gopi chamada Arjuniya. Portanto, o mais correto seria dizer que Ramananda Raya é uma combinação dessas três personalidades. Tal prova é encontrada no Padmapurana, onde é declarado que o Pandava Arjuna tornou-se a gopi Arjuniya. (Gaura-ganoddesha-dipika 120-124)
Conforme expresso nesses versos do Gaura-ganoddesha-dipika, algumas pessoas afirmam que Ramananda Raya foi uma encarnação de Lalita. Outros dizem que ele era Vishakha. Em seu comentário do Chaitanya Charitamrita (2.8.23), Srila Bhaktivinoda Thakura escreve, "O mesmo amor que Vishakha nutre por Radha e Krishna em Vraja, e o mesmo que Radha e Krishna nutrem por Vishakha, é despertado neles quando se encontram.” Portanto, é nítido que Srila Bhaktivinoda Thakura via Ramananda Raya como Vishakha.

Ramananda Raya foi um dos três e meio associados mais íntimos do Senhor.
O Senhor aceitou a irmã de Shikhi Mahiti como uma das amigas de Radha. Em todo o mundo, há apenas três pessoas e meia que são assim consideradas. Elas são Svarupa Damodara Goswami, Ramananda Raya e Shikhi Mahiti. Sua irmã representa essa metade. (Chaitanya Charitamrita 3.2.105-6)

Status social de Ramananda

O pai de Ramananda Raya se chamava Bhavananda Raya. Ele nasceu em uma família da casta karana de Orissa, um clã administrativo como os kayasthas. Anteriormente, ele foi o rei Pandu. Ele tinha cinco filhos, sendo Ramananda o seu primogênito. Os seus outros quatro irmãos são Gopinath Pattanayaka, Kalanidhi, Sudhanidhi e Vaninatha Pattanayaka. O senhor afirma no Chaitanya Charitamrita: "Você é o próprio Pandu, e sua esposa é Kunti. Os seus cinco filhos são os cinco Pandavas." (Chaitanya Charitamrita 2.10.53)
Bhavananda Raya fixou residência em Brahmagiri ou Alalanath, cerca de 12 milhas a oeste de Puri. Manohara Raya, um descendente de Ramananda Raya, escreveu sobre a história de sua família. Srila Bhaktisiddhanta Saraswati Goswami Thakura resumiu alguns desses detalhes no seu Anubhashya e conclui: "A sociedade de Orissa considera a comunidade karana como parte da casta shudra. Ramananda Raya nasceu nessa comunidade. No entanto, embora fosse considerado pela sociedade um shudra por nascimento, na verdade, era um brahmane genuíno, como um Vaishnava paramahansa, ele era o mestre espiritual dos brahmanes.”
Pela vontade de Krishna, o próprio Brahma criador apareceu em uma família sem casta a fim de mostrar que nem a família, nem a raça possuem absolutamente nenhuma importância. Mesmo nascendo como um muçulmano, Hari Dasa enriqueceu os passatempos do Senhor Gauranga. Ele nasceu em uma família de baixa casta sob a ordem do Senhor para que pudesse mostrar que a casta e a classe não importam absolutamente nada. Todas as escrituras afirmam que um devoto de Vishnu, mesmo nascendo em uma família humilde, ainda assim é adorado por todos. O que vale alguém nascer em uma casta elevada, mas não adorar Krishna? Ele irá para o inferno, apesar de seu alto nascimento. Hari Dasa nasceu em uma casta baixa para testemunhar essas declarações escriturais. Ele é comparável a Prahlada, que nasceu em família de demônios, ou a Hanuman, que nasceu como um macaco. Apenas superficialmente eles pertencem às castas inferiores. (Chaitanya Bhagavat 1.16.237-240)
Um Vaishnava está além das qualidades da natureza material. Qualquer um que analisar um devoto com base em seu nascimento ou raça está destinado a uma existência infernal.

arcye shiladhir gurushu naramatir vaishnave jatibuddhir
vishnor va vaishnavanam kalimalamathane padatirthe ‘mbubuddhih
shrivishnor namni mantre sakala-kalushahe shabda-samanya-buddhir
vishnau sarveshvareshe tad-itara-samadhir yasya va naraki sah
Aquele que considera a deidade como algo se não uma pedra,
o guru um ser humano comum, ou o Vaishnava como um membro de uma determinada casta ou raça,
que considera a água santa que lavou Vishnu ou os pés de um Vaishnava, e que pode destruir todos os pecados da era de kali, como sendo uma água ordinária,
que considera o nome ou o mantra de Vishnu, que destrói todos os males, igual a qualquer outro som,
ou que considera Vishnu igual a tudo que é diferente dEle,
possui uma natureza infernal.
(Padma-Purana)
De acordo com o Bhajana-nirnaya, Ramananda era discípulo de Raghavendra Puri e discípulo-neto de Madhavendra Puri.
Sarvabhauma conta ao Senhor sobre Ramananda
Raya Ramananda foi governador do rei Pratapudra em Vidyanagara e, posteriormente, um dos seus ministros.
O Senhor recebeu sannyasa no mês de Magh e chegou em Puri durante o mês de Phalguna. Após celebrar o Dola Yatra em Puri, Mahaprabhu liberou Sarvabhauma Bhattacharya no mês de Chaitra. No mês de Vaishakh, ele partiu em peregrinação para o sul da Índia. Embora Mahaprabhu tenha decidido viajar sozinho, Nityananda Prabhu o convenceu a levar um servo, Krishna Dasa, como companheiro de viagem. Durante sua partida, Sarvabhauma Bhattacharya entregou ao Senhor 4 kaupinas e tangas, e pediu a ele que visitasse Ramananda nas margens do Godavari.
Enquanto o Senhor Chaitanya Mahaprabhu partia, Sarvabhauma Bhattacharya disse o seguinte aos seus pés de lótus, “Meu Senhor, atenda a este meu pedido. Na cidade de Vidyanagara, na margem do Godavari, há um oficial do governo chamado Ramananda Raya. Não o negligencie, pensando que ele pertence a uma família shudra engajada em atividades materialistas. Por favor, aceite meu conselho de que você deve conhecê-lo. Se alguém é apto para associar-se com Você, essa pessoa é ele. Nenhum outro devoto se compara a ele no conhecimento dos sentimentos divinos. Ele alcançou os limites mais altos de aprendizagem, além de ser experiente na ciência dos sentimentos devocionais. Se Você conversar com ele, reconhecerá seu caráter elevado. Assim que o vi pela primeira vez, não consegui entender tudo o que ele dizia, e era tudo absolutamente transcendental. Eu debochei dele apenas porque era um Vaishnava. Mas por Sua misericórdia, agora posso compreender a verdade sobre Ramananda Raya. Ao conversar com ele, Você também reconhecerá sua grandeza.”
(Chaitanya Charitamrita 2.7.61-67)
Srila Prabhupada Bhaktisiddhanta Saraswati comenta da seguinte forma (2.7.63): "De acordo com uma visão superficial, Ramananda Raya não era um sannyasa trajando uma tanga. Em um senso comum, os cortesãos engajados nos serviços do governo costumam ser materialistas, mas Ramananda Raya era uma pessoa erudita e, de fato, era um sannyasi, um ser humano aperfeiçoado. Sarvabhauma Bhattacharya já havia sido capaz de reconhecer sua qualidade natural como um Vaishnava, mesmo que ele próprio ainda não o fosse naquela época. Assim que ele aceitou o serviço devocional pela graça do Senhor, ele reconsiderou sua opinião acerca de Ramananda e compreendeu a extensão das sua qualificações, chamando-o de adhikari rasika-bhakta - a autoridade mais altamente qualificada no que diz respeito ao sentimento devocional.”
Sarvabhauma Bhattacharya era a encarnação de Brihaspati e o pandita da corte do rei Prataparudra. Ele era tão erudito que mesmo sendo um chefe de família, ele tinha sannyasis como seus discípulos. No entanto, ele não conseguiu reconhecer Chaitanya Mahaprabhu como sendo o próprio Senhor Supremo, e nem mesmo identificar Ramananda Raya como seu associado mais íntimo. Se até mesmo ele não conseguiu reconhecê-los, o quão difícil seria para os outros? Sem as bênçãos de Sua misericórdia, ninguém é capaz de compreender as glórias do Senhor e dos Seus devotos.
A especulação mental não possui nenhum valor na compreensão da natureza do Senhor Supremo. Sem a misericórdia do Senhor, nenhuma pessoa pode vir a conhecê-lO. Àquele que o Senhor derrama até mesmo uma pequena gota de misericórdia torna-se capaz de compreender Sua natureza.
(Chaitanya Charitamrita 2.6.82-3)
Mahaprabhu encontra Ramananda
Mahaprabhu partiu para o Sul, e abençoou os seus habitantes concedendo-lhes devoção a Krishna. Ele visitou Kurma-sthana, liberou o brahmane também chamado Kurma, e ordenou que todos pregassem sobre o serviço devocional a Krishna. Salvou Vasudeva Vipra e em seguida, passou por Simhacalam, onde dançou diante da deidade de Jiyari Nrisingha. Então, foi até o rio Godavari, onde Ele o viu como sendo o Yamuna, e as florestas em suas margens, como sendo Vrindavana. Com alegria, atravessou o rio e chegou a um local conhecido como Kabhura, onde banhou-se no rio, na esperança de encontrar Ramananda Raya. Após sair da água, sentou-se e esperou por ele.
Ao mesmo tempo, Ramananda Raya passava por ali com um grupo de fanfarra. Tão logo avistou a forma sobrenatural de Mahaprabhu, saiu do seu palanquim e prestou reverências ao Senhor. Embora Mahaprabhu tenha lhe reconhecido, Ele pediu que se identificasse. Ramananda respondeu que não era nada além de um humilde servo shudra. Assim que o Senhor o ouviu falar de uma maneira tão humilde, Ele o abraçou imediatamente. Tanto o Senhor como Seu servo sentiram o surgimento das emoções divinas e ambos experimentaram as oito transformações estáticas de prema. Os brahmanes que acompanhavam Ramananda ficaram perplexos ao presenciarem tal cena. Eles pensaram, "Este sannyasi é tão refulgente quanto um brahmajyoti. Por que Ele chora enquanto abraça este shudra? O governador Ramananda é um erudito e geralmente é bastante sério. Por que ficou tão emocionado ao ser tocado por este sannyasi, como se estivesse intoxicado?
(Chaitanya Charitamrita 2.8.26-7)
Ao notar a presença de outras pessoas, o Senhor controlou Suas emoções e disse a Ramananda que Sarvabhauma Bhattacharya havia pedido para procurá-lo. Humildemente, Ramananda respondeu,
“Esta é a prova da Sua misericórdia a Sarvabhauma Bhattacharya: Você me tocou, um intocável, simplesmente devido ao seu amor por  Você. Veja a diferença entre nós - Você é o Senhor Supremo, o próprio Narayana, e eu, um servo do governo interessado em atividades materialistas. Na verdade, eu sou o mais baixo entre os homens da quarta casta.  Mesmo assim, Você não desdenhou o meu toque, nem mesmo temeu as injunções Védicas que proíbem que alguém até mesmo olhe para um shudra. Sua misericórdia fez Você me tocar, mesmo que essa atividade seja condenada pelas escrituras e pela sociedade. Quem pode entender a Sua intenção? Afinal, você é o próprio Senhor Supremo.
(Chaitanya Charitamrita 2.8.34-7)
Embora os brahmanes nunca tenham demonstrado o menor interesse em bhakti, eles também foram influenciados pela visão do Senhor e começaram a cantar os nomes de Krishna, e suas vozes ficaram trêmulas devido ao êxtase divino. Ramananda Raya disse em voz alta que Mahaprabhu era o Senhor Supremo, tanto em akriti, forma, como em prakriti, ou natureza. O Senhor respondeu imediatamente de forma que mostrou a grandeza do Seu devoto:
"Você é um grande devoto, na verdade, é o melhor entre eles. Todos aqueles que lhe contemplam são imediatamente afetados e seus corações derretem. O que falar de outros - Eu sou um mayavadi sannyasi, e ainda assim eu sinto Krishna prema ao tocá-lo.
(Chaitanya Charitamrita 2.8.44-5)
O Senhor ouve Ramananda
Após Mahaprabhu relatar o Seu desejo de ouvir Krishna-katha dos seus lábios, Ramananda sugeriu que Ele permanecesse por uma semana em sua casa para que sua própria mente perversa fosse pacificada e purificada. Então, os dois partiram separadamente para concluírem seus deveres e retornaram ao mesmo local ao anoitecer. Geralmente, é o devoto quem faz perguntas e o Senhor é quem as responde. Porém, neste caso, os papéis foram invertidos e o Senhor pedia a Ramananda que esclarecesse determinadas verdades espirituais, e o empoderava para respondê-las. Krishnadas Kaviraj Goswami torna isso explícito no verso que abre o oitavo capítulo de Madhya-lila:
sancarya ramabhidha-bhakta-meghe
svabhakti-siddhanta-cayamritani
gaurabdhir etair amuna vitirnais
taj-jnatva-ratnalayatam prayati


Gauranga é como um oceano de verdades espirituais; Ele preencheu a nuvem chamada Ramananda com o néctar das mais puras conclusões da devoção a Ele. Ramananda então choveu esse mesmo néctar no oceano do qual tinha origem, produzindo joias de conhecimento transcendental.
(Chaitanya Charitamrita 2.8.1)
Aquele que não tomou abrigo no Senhor, pode até tentar entender a Verdade Suprema através de meios empíricos, mas não consegue ter nenhum êxito. Na verdade, ficará confuso e não será capaz de compreender as palavras do Senhor.
Mahaprabhu pediu a Ramananda Raya para explicar, com base nas escrituras, a meta final da vida. Ramananda começou a responder explicando que a devoção a Vishnu era o objetivo último da realização humana, ou sadhya. Nesta concepção teísta, ele descreveu o caminho progressivo de diferentes práticas que conduzem a essa meta, começando pela prática de varnashrama dhamara, oferta dos frutos das atividades a Krishna (karmaparna), renúncia dos deveres prescritos (karma-tyaga) e devoção combinada ao conhecimento (jnana-mishra-bhakti), tendo a escritura como base para cada uma delas. No entanto, Mahaprabhu rejeitou todas, dizendo que eram superficiais ou externas, e nenhuma delas eram potenciais meios para obter-se a devoção pura que Ele tinha vindo dar.
Ao começar essa conversa com Ramananda Raya sobre varnashrama dharma, Mahaprabhu mostrou que todas as atividades que ignoram os princípios Védicos ou vão contra ele são completamente rejeitadas. Ao responder a cada uma das sugestões de Ramananda, Mahaprabhu não disse, “Certamente que não!”, ele usava as palavras, eho bahya, “Isso é muito periférico.” A ideia é que deve-se desistir primeiro das atividades que estão fora do escopo do padrão Védico. Após fixar-se nestes princípios, é possível obter progressivamente as qualificações para prosseguir através das diversas etapas descritas por Ramananda. Isso é um fato, muito embora bhakti por si só seja completamente independente e possa se manifestar em um indivíduo através da associação com pessoas santas, mesmo sem ter nenhuma qualificação prévia ou ter passado por essas etapas anteriores.
Assim que Ramananda Raya finalmente respondeu a pergunta de Mahaprabhu dizendo, “O serviço devocional puro sem nenhum toque de conhecimento especulativo (jnana-shunya-bhakti) é o meio para obter a perfeição suprema.”, Ele finalmente aceitou sua conclusão. A partir deste ponto, os ensinamentos de Mahaprabhu realmente começam. As palavras jnana-shunya destinam-se a erradicar completamente qualquer consciência do aspecto impessoal do supremo, e não o tipo de conhecimento das relações (sambandha-jnana) que são favoráveis à realização do serviço devocional puro.
Srila Bhaktivinoda Thakura escreve no Amrita-pravaha-bhashya, "O propósito é que sacrificar os resultados da ação é melhor do que meramente engajar alguém nos deveres prescritos de acordo com o varnashrama dharma; a renúncia das atividades fruitivas é melhor do que simplesmente desistir dos frutos; melhor do que isso é o cultivo do conhecimento combinado ao serviço devocional. No entanto, apesar desta melhoria progressiva na espiritualidade através desses estágios, eles são todos superficiais, pois esses quatro tipos de práticas não possuem o poder de obter devoção pura, ou shuddha bhakti. A devoção conhecida como aropa-siddha, que implica em adicionar uma camada devocional como uma consequência posterior, ou sanga-sidha, que é a devoção através da associação de uma atividade fruitiva com algum ato de devoção, jamais devem ser consideradas serviço devocional puro. O serviço devocional puro é Svarupa-siddha bhakti, ou seja, devocional tanto na forma, como na intenção. É totalmente diferente destas outras atividades, que possuem apenas uma relação superficial com o serviço devocional. As características de shuddha bhakti é que essa atividade é executada exclusivamente para o prazer de Krishna, e é desprovida de qualquer desejo material, e também não é ocultada pela presença de intenções fruitivas ou conhecimento de brahman. Esta consciência representa a meta final da prática espiritual, e apesar de ser praticada por um aspirante a devoto, ela é realizada ao alcançar a perfeição da sua prática" (2.8.68)

Quando Ramananda Raya sugeria algo diferente de seguir os passos dos grandes devotos e ouvir Krishna-Katha dos seus lábios, Mahaprabhu continuava dizendo, “Isso é irrelevante.” Portanto, entende-se que a devoção pura começa a partir do momento em que começamos a ouvir dos lábios de um devoto puro as atividades e ensinamentos do Senhor Krishna. A partir deste ponto, Ramananda Raya descreveu as diversas fases da devoção pura, os humores de neutralidade, servidão, amizade, parental e conjugal. A partir daí, ele passou a descrever o amor de Radha como sendo supremo, bem como as características de Radha e Krishna. Então, Mahaprabhu lhe fez perguntas como, “Qual é a essência da educação?”, “Que tipo de fama é considerada a melhor para a entidade viva?”. Todas essas questões foram extensivamente descritas no oitavo capítulo do Madhya-lila do Chaitanya Charitamrita. A fim de não desviar muito da história da vida de Ramananda, não abordaremos mais esses tópicos aqui.
A percepção de Ramananda da identidade do Senhor
A identidade do Senhor não permanece escondida para aqueles que são Seus devotos. Ramananda reconheceu quem o Senhor era. Ele disse,
"Primeiramente, eu o vi como um sannyasi comum. Agora, vejo que na verdade é um vaqueirinho negro. Eu vejo um boneco dourado parado na sua frente; essa refulgência dourada cobre todo o seu corpo." (Chaitanya Charitamrita 2.8.268-9)
Ao ouvir isso, Mahaprabhu esforçou-se para disfarçar a Sua identidade, e disse que Raya Ramananda era um grande devoto e por isso via Krishna em todos os lugares. No entanto, Ramananda claramente destacou o principal propósito da encarnação do Senhor. Mahaprabhu sentiu-se satisfeito com essa percepção perspicaz e exibiu Sua forma como a combinação de rasa-raja (“o rei dos sentimentos devocionais”) Krishna e a encarnação de maha-bhava (“o humor devocional supremo”), Srimati Radharani. Assim que ele viu essa incrível forma combinada do Senhor, Ramananda Raya caiu no chão inconsciente. Assim que o Senhor o tocou, ele a recuperou.
Eles permaneceram juntos por dez dias, desfrutando de discussões sobre tópicos conscientes de Krishna. Antes de Mahaprabhu prosseguir com a sua peregrinação pelo sul, Ele pediu a Ramananda que abandonasse o seu serviço ao governo e se juntasse a Ele em Puri quando retornasse.
Tão logo Mahaprabhu concluiu sua jornada, encontrou-se com Ramananda nas margens do Godavari. Ele lhe mostrou os dois livros, Krishna-karnamrita e Brahma-samhita, que havia encontrado durante suas viagens, e que fundamentava tudo o que Ramananda Raya havia dito em suas conversas anteriores. Ramananda Raya copiou os dois manuscritos. Antes de retornar para Nilachala, o Senhor permaneceu outra semana ao seu lado, desfrutando do prazer das discussões sobre Krishna. Ramananda não aceitou partir imediatamente com o Senhor porque precisava aguardar a permissão do Rei, e também cuidar de questões pessoais. Porém, prometeu se juntar a Ele tão logo fosse possível.
Ramananda chega a Puri

Após o Senhor chegar em Puri, Ele fixou residência permanente na casa de Kashi Mishra. O rei Prataparudra havia ouvido sobre o Senhor e estava muito ansioso em conhecê-lo. Sarvabhauma Bhattacharya havia lhe garantido que após o Seu retorno da peregrinação ao Sul, ele iria de alguma maneira proporcionar esse darshan. Infelizmente, por mais que Sarvabhauma Bhattacharya tentasse convencer o Senhor, Ele dizia que não iria olhar para um rei. Dessa forma, todas essas tentativas falharam.
Após o rei ouvir que Ramananda desejava retornar para Puri para ficar ao lado de Mahaprabhu, ele ficou muito feliz e lhe concedeu permissão para partir. Ele permitiu-lhe abandonar seus deveres no governo e continuou lhe pagando uma pensão. Dessa forma, Ramananda encontrou-se primeiro com o rei em Cuttack, e posteriormente em Puri, antes de ir até a casa de Kashi Mishra para encontrar-se com o próprio Senhor. Ramananda sabia o quão ansioso o rei estava em encontrar Mahaprabhu, mas ao invés de abordar o assunto diretamente, ele apenas glorificou o rei, dizendo a Mahaprabhu o quanto acreditava nEle, o quão profunda era a sua devoção a Krishna e o quão gentil ele havia sido por liberá-lo dos seus deveres junto ao governo para que pudesse servi-lO diretamente. Ao recontar as virtudes do rei, ele conseguiu derreter a determinação do Senhor.
Entretanto, Nityananda Prabhu havia enviado uma das tangas do Senhor ao rei Prataparudra como consolo. Embora o rei tenha ficado muito alegre, o seu desejo de encontrar o Senhor apenas crescia e por isso pediu a Ramananda que intercedesse e fizesse algum tipo de arranjo. Quando Ramananda finalmente se aproximou diretamente do Senhor, pedindo a ele que fosse compassivo com o rei, o Senhor não conseguiu recusar seu pedido direto. Ele concordou que o rei não era uma pessoa materialista, mas, no entanto, o título de raja era um tipo de contaminação que Ele não conseguia ignorar. Dessa forma, Ele concordou em receber o filho do rei, uma vez que de certa forma, filho e pai são os mesmos.
Mahaprabhu disse, "Suponha-se que há uma grande quantidade de leite em um grande pote, se ele for contaminado com apenas uma gota de álcool, ele passará a ser intocável. O rei certamente possui todas as boas qualidades, mas tudo foi arruinado apenas pela posse do título real. Se você ainda se sente muito desejoso de que o rei me encontre, traga o seu filho no lugar dele. A escritura afirma que o eu de alguém renasce no seu filho, portanto, se o filho vier, será igual a ele ter Me encontrado.” Ramananda Raya informou o rei sobre as suas conversas com o Senhor, e de acordo com o Seu desejo, levou o seu filho para vê-lO. (Chaitanya Charitamrita 2.12.53-7)
Apreciando as representações de Rupa
Rupa Manjari é a seguidora das sakhis Lalita e Vishakha, que não é diferente de Ramananda Raya. Rupa Goswami abordou a questão dessas duas representações, Lalita-madhav e Vidagdha-madhava com Ramananda quando ele pediu para ouvir um verso sobre as representações.
anarpita-carim cirat karunayavatirnah kalau
samarpayitum unnatojjvala-rasam sva-bhakti-shriyam
harih purata-sundara-dyuti-kadamba-sandipitah
sada hridaya-kandare sphuratu vah shacinandanah
O sabor elevado e resplandecente do arrebatamento sagrado
é a riqueza do amor devocional;
O Senhor não entrega isso sempre;
No entanto, sob a sua misericórdia nesta era de desavenças,
para distribuir este tesouro ao mundo,
Ele se manifesta em Sua forma dourada.
O filho de Sachi é como um leão;
Que ele possa viver para sempre na caverna do seu coração.
Ramananda Raya após ouvir esse verso, começou a orar a Rupa Goswami como se tivesse mil línguas. Ele dizia que Rupa só poderia ter escrito um retrato tão preciso de conceitos tão difíceis devido a misericórdia do Senhor.
Pradyumna Mishra encontra Ramananda

A fim de revelar a extensão de seu caráter e identidade transcendentais, Mahaprabhu enviou Pradyumna Mishra, nascido em uma família brahmínica de classe superior, até Ramananda para que fosse instruído, mesmo ele não sendo de tal classe elevada. Pradyumna Mishra nasceu em Sylhet, porém, posteriormente fixou residência em Orissa. Certo dia aproximou-se de Mahaprabhu pedindo-lhe para ouvir um pouco de Hari-katha. Mahaprabhu respondeu com grande humildade que ele não era qualificado para falar sobre as questões elevadas do arrebatamento sagrado, e o enviou até Ramananda Raya.
Naquela época, Ramananda Raya estava nos jardins de Jagannath-vallabha, empenhado em preparar duas jovens deva-dasis para um peça que seria encenada diante do Senhor Jagannatha. Ele as treinava não apenas nas canções que iriam cantar e dançar, mas também as banhava, as vestia e as arrumava. Na primeira vez que Pradyumna Mishra foi se encontrar com Ramananda, um dos seus servos lhe disse que ele estava muito ocupado com esse serviço e pediu a Mishra que sentasse e esperasse do lado de fora. Nenhum dos servos de Ramanda Raya ousaria interrompê-lo enquanto estivesse ocupado com o preparo dessa apresentação que seria encenada diante do Senhor Jagannatha. Somente após o término do ensaio, ele soube que Pradyumna Mishra lá estava para ouvir sobre Krishna.
Ramananda demonstrou ao brahmane o respeito apropriado e implorou perdão pela longa espera. Mishra percebeu que estava tarde demais para atender ao seu desejo e retornou para casa. Alguns dias depois, Mahaprabhu viu Mishra e perguntou a ele como havia sido o encontro com Ramananda e sobre quais tópicos haviam conversado. Pradyumna Mishra contou-lhe tudo o que havia acontecido e disse ao Senhor que algumas dúvidas haviam surgido em sua mente a respeito das atividades de Ramananda. Imediatamente, o Senhor tomou as medidas para extinguir essas dúvidas. De forma enérgica, ele começou a glorificar o caráter extraordinário de Ramananda. Ele disse:
"Eu sou um sannyasa e Me considero um renunciado. Mas se eu ouvir o nome de uma mulher, o que falar se eu ver alguma, sinto efeitos em meu corpo e mente. Então, quem não é afetado pela visão de uma mulher? Todos, ouçam-me. Deixe-me falar sobre Ramananda Raya, ainda que não seja possível descrever apropriadamente tal pessoa tão maravilhosa e incomum. Ele serve pessoalmente o jovem Jagannatha e todas as belas devadasis de todas as formas possíveis. Ele pessoalmente as veste e as banha, e as decora com ornamentos. Ao fazer isso, naturalmente vê e toca as partes íntimas dos seus corpos, mas mesmo assim, sua mente jamais é afetada. Ele ensina essas garotas a expressarem fisicamente todos os humores do amor, para que sejam encenados diante de Jagannatha Deva, mas sua mente e corpo são firmes como uma pedra ou madeira. Na verdade, é incrível o fato de que mesmo ao tocar essas jovens garotas, sua mente não é perturbada. Somente Ramananda tem o direito de fazer tais coisas, e ao vê-lo fazer isso, posso entender que seu corpo não é material, ele foi completamente transformado em uma entidade espiritual." (Chaitanya Charitamrita 2.5.35-42)
Dessa forma, Mahaprabhu revelou os incríveis poderes de Ramananda a Pradyumna Mishra, e através dele, para todo o mundo. Também lhe disse que Ele próprio havia ido até Ramananda ouvir sobre Krishna, e o aconselhou a ir uma segunda vez. Desta vez, Pradyumna conseguiu ouvir Ramananda falar sobre Krishna de forma tão profunda e clara que ele ficou atônito, e de tão admirado que ficou, começou a dançar em êxtase.
Bhaktivinoda Thakura escreve o seguinte comentário sobre o passatempo acima: "Raya Ramananda compôs uma peça que é conhecida como Jagannath-vallabha-nataka . Ela foi encenada no templo de Jagannatha para o prazer do próprio Senhor. As deva-dasis, ou “virgens de Deus”, são garotas que eram oferecidas à deidade como suas esposas e treinadas para se apresentarem apenas para a deidade. Em Orissa, elas são agora chamadas de maharis. Ramananda selecionou duas dessas garotas para encenarem esse drama, ensinando-as como demonstrar adequadamente as emoções das gopis. Uma vez que as duas deva-dasis estavam desempenhando os papéis das chefes das gopis, Ramananda não fazia distinção entre elas e as amantes amadas de Krishna. Ele considerava a si mesmo como sendo o servo delas, e nessa identidade espiritual, envolveu-se no serviço de ensiná-las a dançar e cantar para o Senhor. Devido a Ramananda Raya saber que era uma das servas de Srimati Radharani, ele conseguiu projetar a identidade dessa amante adorável nas duas deva-dasis e dessa forma, conseguiu servi-las da forma mais íntima sem experimentar o distúrbio do desejo sexual mundano." (Amrita-pravaha-bhashya, 3.5.20)

Apesar de ser um chefe de família, Ramananda não estava sob o controle dos seis pecados capitais (luxúria, ira, ganância, ilusão, intoxicação e inveja). Apesar de aparentemente ser uma pessoa materialista, ele era qualificado para instruir aqueles na ordem de vida renunciada. O Senhor desejou revelar essas qualidades de Ramananda, então ele enviou Pradyumna Mishra para ouvi-lo falar sobre Krishna. O Senhor sabe muito bem como tornar públicas as virtudes dos seus devotos. Ele considera que seja para Seu benefício pessoal fazer isso utilizando vários estratagemas. Ó devotos, ouçam atenciosamente outra característica do Senhor: Ele manifesta Sua natureza majestosa, embora ela normalmente permaneça ocultada. Ele espalha os verdeiros princípios religiosos através de um homem shudra humilde a fim de derrotar o falso orgulho daqueles ditos renunciantes e eruditos. Ele pregou sobre o serviço devocional, amor estático e Verdade Absoluta transformando Ramananda Raya, um grihastha nascido em uma família de baixa casta, em um orador, enquanto Ele próprio, um exaltado sannyasi brahmame, e Pradyumna Mishra, um brahmane puro, ouviam e aprendiam através dele. (Chaitanya Charitamrita 3.5.80-85)

Os comentários de Srila Bhaktisiddhanta Saraswati Goswami Thakura para essas palavras do Chaitanya Charitamrita são os seguintes: "Em uma visão materialista, Ramananda Raya é um grihastha no pravritti-marga, comprometido ativamente em uma vida mundana. Claramente, ele não é um brahmachari, vanaprastha ou sannyasi auto-controlado. Um chefe de família materialista está sob o controle dos seus sentidos, e essa é a base do seu envolvimento em atividades mundanas. No entanto, um chefe de família Vaishnava que tenha atingido o estado central, não está de forma alguma nesse mesmo nível, pois ele transcendeu as influências dos seis pecados capitais e permanece distante da influência dos sentidos. Ramananda Raya aceitou o estado de chefe de família como sendo o seu papel nos passatempos de Sri Chaitanya Mahaprabhu. As pessoas ordinárias materialistas olham para ele através do vidro matizado pelo seu próprio desejo de gratificação dos sentidos e o veem como não diferente de si mesmas, mas na verdade, sua mente tornou-se totalmente espiritualizada ao fixar-se no objeto adorável supremo. Ele era um Krishna-vishayi, aquele que busca apenas o prazer dos sentidos de Krishna, e não dele próprio. Ele não era um impersonalista ou um niilista argumentador oposto às atividades transcendentais do senhor. Na verdade, ele tinha o poder de transformar as mentes dos sannyasis que haviam abandonado a gratificação dos sentidos e se tornado absortos no brahman sem qualidades, nem nenhum apreço pelos passatempos e pela forma de Krishna, e assim os afastava dessa concepção fundamentalmente materialista de transcendência, atraindo-os para a prática do serviço devocional através da audição e do canto dos nomes, formas e atividades do Senhor.”
Outras atividades em Puri
Tão logo Vallabha Bhatta chegou a Puri e entrou em contato com Chaitanya Mahaprabhu, o Senhor manteve Suas glórias ocultas porque sabia que ele sentiria orgulho do que aprendesse. Ele preferiu falar a Vallabha Bhatta sobre as qualificações de seus associados. Então, ele disse que Ramananda era especialista em sambandha, ou conhecimento das relações entre Deus, homem e universo, e prayojana-tattva, ou conhecimento da vida no estado de perfeição divina. Além disso, disse que ele era o maior conhecedor do arrebatamentos puros e sagrados de Vrindavana.
Ramananda Raya é a casa do tesouro dos sentimentos divinos. Foi ele quem revelou a Mim que Krishna é a Suprema Personalidade de Deus. Ninguém é capaz de descrever plenamente a extensão da potência espiritual de Ramananda. Através dele, consegui aprender sobre os humores puros dos devotos de Vraja. (Chaitanya Charitamrita 3.7.23, 37)
Ramananda Raya tinha o mesmo tipo de relação com Mahaprabhu de Subala, o amigo de Krishna e seu ajudante em Vraja. (Chaitanya Charitamrita 3.6.9)
Ramananda Raya também estava presente em Nilachala na ocasião do desaparecimento de Hari Dasa Thakura. Mahaprabhu louvou Hari Dasa diante dos devotos liderados por Ramananda e Sarvabhauma Bhattacharya. (3.11.50)
Ramananda nos últimos dias do Senhor

Às vezes, quando o Senhor estava no estado de loucura do êxtase divino, Ele desaparecia, mesmo que houvesse  três portas impedindo a Sua saída. Certa vez, ele foi encontrado próximo ao Lion Gate, com suas articulações afrouxadas, assumindo uma forma distendida gigante. Ele então foi revivido e retornou ao normal cantando em alto som os Santos Nomes. Em outra ocasião, foi encontrado nas dunas de areia que Ele tinha levado durante seu estado de transe para se tornar Govardhana. Novamente precisou ser pacificado por sankirtana e retornou para Sua casa. Nessas ocasiões, Ramananda Raya estava presente ao lado de Svarupa Damodara. Durante as dez transformações de loucura em êxtase do Senhor (divyonmada), Ramananda Raya recitava os versos que se adequavam ao estado emocional do Senhor. Dessa forma, ele proporcionava prazer ao Senhor.
Mahaprabhu permaneceu em Nilachala, passando dias e noites absortos na ansiedade de separação de Krishna. Svarupa e Ramananda estavam sempre com Ele, levando-O ao êxtase através da recitação de canções e versos apropriados ao Seu humor. (Chaitanya Charitamrita 3.20.3-4)
... o Senhor tocou Svarupa Damodara Ramananda Raya nos ombros e disse, Svarupa e Rama Raya! Digam-se o que devo fazer, onde devo ir para encontrar Krishna. Vocês podem me dizer o melhor a ser feito.” Dessa forma, Gauranga contou Sua angústia para Svarupa e Ramananda e eles o consolaram diante do Seu sofrimento. Svarupa cantava e Ramananda recitava versos em sânscrito, proporcionando alegria ao Senhor com versos do Krishna Karnamrita, canções de Vidyapati e Gita-Govinda. (Chaitanya Charitamrita 3.15.24-7)
Ao permanecer na companhia de Svarupa e Ramananda dia e noite, Mahaprabhu apreciava em êxtase as canções de Chandi Das, Vidyapati e Ramananda Raya, bem como o Krishna-Karnamrita e Gita-Govinda. (Chaitanya Charitamrita 2.2.77)
Ramananda Raya executava seu bhajana nos jardins Jagannath-vallabha, um local que também era muito querido por Mahaprabhu. Assim que o Senhor adentrava o jardim, Ele era tomado por sentimentos de amor divino. Certo dia, enquanto o Senhor lá estava, Ele teve uma visão de Krishna embaixo de uma árvore ashoka. Então, de repente, a visão se perdeu, e Mahaprabhu caiu no chão inconsciente.

O parque principal de Puri é o jardim Jagannath-vallabha. O senhor esteve lá com Seus devotos. As árvores e os arbustos floridos remetiam a Vrindavana. Os papagaios, pássaros mynah e cucos cantavam suas canções e as abelhas zumbiam. (Chaitanya Charitamrita 3.19.79-80)
Vagando pelo jardim, Ele foi de árvore em árvore. Ao se aproximar de uma árvore ashoka, Ele de repente avistou Krishna parado ali. O Senhor começou a correr em direção a Ele, mas Krishna riu e desapareceu. O Senhor ficou atordoado: Ele havia encontrado Krishna e depois o perdeu novamente. Ele perdeu a consciência e caiu no chão. (Chaitanya Charitamrita Antya 19.85-87)
Através de Ramananda Raya e Sri Svarupa Damodara Goswami, o Senhor Chaitanya Mahaprabhu alegremente anunciou ao mundo que Harinama-sankirtana é a melhor forma de obter o amor de Deus nesta era de desavenças.
O Senhor, em uma onda de júbilo diz, “Ouçam Svarupa Damodara e Ramananda Raya! Na era de Kali, Harinama-sankirtana é o meio supremo de liberação. Nesta era, Krishna é adorado pelo canto congregacional dos Santos Nomes. É dessa maneira que uma pessoa inteligente alcança os pés de lótus de Krishna. Através do cantar dos Santos Nomes, todas as reações pecaminosas de uma pessoa são extintas e toda a auspiciosidade surge, até que finalmente experimenta-se as alegrias do amor por Krishna." (Chaitanya Charitamrita 3.20.8-11)
Há duas opiniões sobre o dia do desaparecimento de Ramananda Raya: alguns dizem ter sido em Jyestha Krishna-pancami, outros em Vaishakhi Krishna-pancami.
Tradução: Madhukari Radhika devi dasi
Fonte: BVML

Desaparecimento de Sri Paramesvari Thakura

Extraído de “Sri Chaitanya: His Life & Associates” por Srila Bhakti Ballabh Tirtha Maharaj
[Em 2017, o divino desaparecimento desaparecimento de Sri Paramesvari Thakura é comemorado em 10 de maio.]
Sri Paramesvari Thakura

namnarjunah sakha prag yo dasa sa parameshvarah
"Anteriormente, Parameshvara Das Thakura foi Arjuna, um dos doze vaqueirinhos amigos de Krishna."
(Gaura-Ganoddesha-Dipika 132)

Srila Paramesvari Thakura apareceu em uma família Vaidya. Ele fez de Antpur a sua casa, um vilarejo anteriormente conhecido pelo nome de Bishakhali. A estação Antpur está localizada no ramal de Champadanga da linha ferroviária Howrah-Amta. O Sripat de Paramesvari Thakura não está distante da estação de trem, e localiza-se próximo ao antigo templo de Radha Govinda estabelecido por Tej Bahadur, diwan ou ministro-chefe do rei Burdwan.
Após o Senhor receber sannyasa em Katwa, Ele partiu para Vrindavana em um estado de intoxicação divina antes de ser redirecionado por Nityananda Prabhu para a casa de Advaita Achaya em Shantipur. Sachi Mata e outros devotos de Navadwipa foram todos ver o Senhor. A pedido de sua mãe, Mahaprabhu concordou em permanecer em Puri e tomou o caminho de Chatrabhoga até Nilachala na companhia de Nityananda, Mukunda, Jagadananda e Damodara.
Na primeira vez que o Senhor desejou ir para Vrindavana a partir de Nilachala, Ele o fez pela Bengala e, ainda que eventualmente não tenha tido êxito, passou por Panihati, Kumarahatta, Kuliya, Ramakeli, Kanair Natshala, Shantipur etc., antes de retornar para Puri. Nrisinghananda Brahmachari ao ouvir que Mahaprabhu estava indo para Vrindavana, meditou no caminho do Senhor, imaginando uma estrada de joias que ia até Kanair Natshala. Então, ele percebeu que o Senhor chegaria no máximo até lá, e não seria dessa vez que chegaria até Vrindavana. Milhares de pessoas estavam acompanhando o Senhor. Ao chegar em Kanair Natshala, Ele se lembrou do conselho de Sanatana Goswami,
“Sair em peregrinação com um grande grupo de devotos não é o recomendado. Você está indo para Vrindavana com uma comitiva de centenas e milhares de pessoas, e essa não é a forma adequada de estar em peregrinação.”
(Chaitanya Charitamrita 2.1.222-4)

Em seu caminho de volta para Nilachala, Mahaprabhu parou na casa de Advaita em Shantipur. Dessa vez, Ele estava acompanhado por Baladhadra Bhattacharya e Damodara Pandita. Assim que o Senhor retornou de Gaya, Ele foi até Kanair Natshala onde teve uma visão de Muralidhara Sri Krishna, que o abraçou antes de desaparecer (Chaitanya Bhagavat 2.2.179-85). Após ele voltar para Nilachala, Mahaprabhu disse a Nityananda Prabhu para ir com Seus associados para a Bengala liberar os sem casta, os tolos e os caídos. Entre eles estavam Sri Rama Das, Gadadhara das, Raghunatha Vaidya, Krishna Das Pandita, Paramesvari Das e Purandara Pandita. Enquanto viajava com Nityananda, esses devotos demonstraram vários humores estáticos. Eles são descritos no Chaitanya Bhagavat:

"Krishna Das Pandita, Paramesvari Das e Purandara Pandita estavam entusiasmados por se unirem a Nityananda. Todos os seus associados pessoais o acompanharam nesta jornada de volta para Bengala. Antes de começar, Nityananda primeiro os saturou com Krishna prema. Eles esqueceram completamente suas identidades externas. Não há fim para a variedade de humores estáticos que se manifestou em cada um dos seus corpos."
(Chaitanya Bhagavat 3.5.232-235)
"No espírito de vaqueirinhos, Paramesvari Das e Krishna Das gritaram “Hoi! Hoi!”.
(Chaitanya Bhagavat 3.5.240)

Paramesvari Das era uma das companhias mais importantes de Nityananda Prabhu, e apareceu especificamente para enriquecer seus passatempos. Nityananda Prabhu o considerava como sua própria vida. Isso também é afirmado no Chaitanya Bhagavat:
"Paramesvari Das é a vida de Nityananda. Nityananda usou seu corpo como uma extensão do seu próprio."
(Chaitanya Bhagavat 3.5.732)

Também é declarado no Chaitanya Bhagavat  que Mahaprabhu manifestou-se na deidade de Gauranga adorada por Paramesvari Das em Antpur.
"Purandara Pandita e Paramesvari Das viram a manifestação de Gaurachandra na deidade. Assim que o viram, correram em direção a Ele e caíram, chorando em êxtase de amor."
(Chaitanya Bhagavat 5.95-6)

É dito no Bhakti-ratnakara que Paramesvari Das estava na comitiva de Jahnava Mata, a shakti de Nityananda, quando ela foi para o festival Kheturi.
"Jahnava Ishvari caminhou alegremente na companhia de Gauranga, Nakarii Krishna Das, Damodara, Paramesvari, do erudito Balarama, Mukunda, Vrindavana Das etc."
(Bhakti-ratnakara 10.376-7)
Sri Paramesvari Das Thakura também acompanhou Jahnava Mata na sua última viagem até Vraja Dhama e a viu se fundir no corpo de Radhika no templo de Gopinatha. Sob a ordem de Jahnava, ele estabeleceu a adoração das deidades de Radha-Gopinatha em Antpur.
Após retornar de Vraja, Paramesvari Das permaneceu algum tempo nos vilarejos de Khardaha e Garalagacha no distrito de Puri. Quando Narottama Das foi até Khardaha, ele lhe deu as instruções para ir até Puri. No Chaitanya Charitamrita é declarado que basta se lembrar de Paramesvari Das para se obter amor por Krishna.
"Paramesvari Das tomou abrigo exclusivo em Nityananda Prabhu. Qualquer um que se lembre dele alcança devoção a Krishna."
(Chaitanya Charitamrita 1.11.29)
Sri Paramesvari Das tinha poderes milagrosos. Em dada ocasião, o harinama-sankirtana havia
acabado de começar na casa de Kamalakara Pippalai na cidade de Akna Mahesh situada próximo a Serampore. Paramesvari estava dançando em êxtase durante o kirtana. Os ateístas locais sentiram muita inveja ao ouvir o som do kirtana e ao verem aquela dança estática. Eles decidiram poluir a área do kirtana e ensinar aos devotos uma lição, e para isso jogaram um chacal morto no meio do grupo de kirtana. Mas Paramesvari não parou de dançar nem por um só instante. Pela força do kirtana, o chacal voltou à vida e começou a uivar. Os outros devotos ficaram surpresos com essa demonstração de poder e se inundaram com êxtase transcendental. Isso é mencionado no Vaishnava-vandana:
"Eu venero muito atentamente Paramesvari Das, que fez um chacal voltar à vida durante sankirtana."
Há duas grandes árvores bakula e kadamba em frente ao templo de Antpur. Entre elas está localizado o samadhi de Paramesvari Das, que também é um altar de tulasi. É dito que essas árvores bakula cresceram a partir do ramo de uma outra que ali estava na época de Paramesvari Thakura. Todos os anos, a árvore kadamba produz uma flor que é utilizada na adoração das deidades. Também anualmente é realizado o festival de tirobhava de Paramesvari Thakura em vaishakhi purnima.
Para saber mais, acesse:

* Aparecimento de Srimati Jahnava-devi
* Nityānanda Trayodaśī

Tradução: Madhukari Radhika devi dasi
Fonte: BVML

terça-feira, 9 de maio de 2017

Aparecimento de Srimati Jahnava-devi




Srimati Jahnava-devi
Extraído de “Sri Chaitanya: His Life & Associates” por Srila Bhakti Ballabh Tirtha Maharaj

shri-varuni-revata-vamsha-sambhave
tasya priye dve vasudha ca jahnavi
shri-surya-dasasya mahatmanah sute
kakudma-rupasya ca surya-tejasah

ananga-maïjarim kecij jahnavam ca pracakshate ubhayam tu samicinam purva-nyayat satam matam

As esposas de Balarama, Varuni e Revati tornam-se Vasudha e Jahnavi, as duas esposas de Nityananda Prabhu, em Chaitanya-lila. As duas são filhas de Surya Das, tão resplandecente como o sol. Em seu nascimento anterior, foi Kakudman, o pai de Revati. Outros consideram Jahnava como sendo uma encarnação de Ananga Manjari. Ambas as opiniões são possíveis, pois já nos foi mostrado que é possível mais de uma identidade se manifestar nos associados de  Chaitanya Mahaprabhu.
(Gaura-ganoddesha-dipika 65-6)

Jahnava é filha de Surya Das Sarakhela. De acordo com o Gaudiya Vaishnava Abhidhana, sua mãe é Bhadravati. Terceiro filho de Kamsari Mishra, o shripata de Surya Das é o vilarejo de Shaligrama, não muito distante de Navadwipa, situado próximo à estação de Muragacha na zona Eastern Railway.  Seus irmãos mais velhos são Damodara e Jagannatha, e os mais novos, Gauri Das, Krishna Das Sarakhela e Nrisingha Chaitanya.

Shaligrama não está muito distante de Navadwipa. Surya Das Pandit fez dali a sua casa. Ele detinha um cargo importante no serviço ao rei de Gauda, pelo qual recebeu o título de Sarakhela (“comandante”) e foi recompensado com uma grande quantia de dinheiro. Surya Das e seus irmãos eram muito puros e possuíam uma reputação ilibada. Sua virtudes eram inumeráveis. Suas filhas são Vasudha e Jahnava. (Bhakti-ratnakara 12.3875-8)

Surya Das Sarakhela e Krishna Das eram os irmãos que possuíam grande fé em Nityananda e eram cheios de amor por Krishna. (Chaitanya Charitamrita 1.11.25)

Surya Das Sarakhela era um grande devoto, cujo irmão é Gauri Das Pandita. Gauri Das pediu sua permissão para viver em Ambika nas margens do rio Ganges. (Bhakti-ratnakara 7.330-1)

Ao longo do Bhakti-ratnakara, Narahari Chakravarti Thakura descreve o casamento de Nityananda Prabhu e a santa vida de Jahnava Devi. Toda a manifestação de Vishu-tattva possui três energias, conhecidas como Shri, Bhu, e Nila ou Lila. Nityananda Prabhu também é Vishnu-tattva e possui essas três energias. No 12º Taranga de Bhakti-ratnakara, o casamento do senhor Nityananda é descrito como tendo sido realizado de acordo com o costume humano. A essência dessa descrição é a seguinte:
Nityananda Prabhu, Vasudha (à esquerda) Jahnava-devi (à direita)


Um certo kayastha chamado Krishna Das, o filho de Harihoria de Bariagachi, um vilarejo próximo à Shaligrama, assumiu a responsabilidade de procurar uma esposa para Nityananda Prabhu. Um brahmane idoso de Shaligrama viu que Surya Das estava preocupado em buscar um marido adequado para suas duas filhas e fez a seguinte sugestão: “No vilarejo de Ekacakra em Rarhadesha há um casal chamado Hariai Pandita e Padmavati Devi. Em Krishna-lila, eles foram Vasudeva e Rohini. Balarama encarnou como seus filhos, Nityananda. Nitai viajou para todos os lugares de peregrinação e realizou muitas austeridades, tornando-se um grande erudito antes de ir para Navadwipa e de se tornar o associado mais querido de Chaitanya Mahaprabhu. Ele é o eterno marido de suas duas filhas.”

Em um sonho, Surya Das também teve uma visão de Nityananda como Balarama com Vasudha e Jahnava à sua esquerda e direita em suas formas como Revati e Varuni. Após Surya Das levar a sério o conselho do brahmane e oferecer suas duas filhas aos pés de lótus de Nityananda, ele misericordiosamente proporcionou-lhe a mesma visão, o que o fez cair em êxtase.

Ele viu Vasudha e Jahnava como Varuni e Revati, cujas formas eram mais resplandecentes que montanhas de ouro e kumkum. De pé à esquerda e à direita de Balarama, elas estavam decoradas com joias magníficas e adornadas com roupas finas e coloridas. Nityananda revelou sua magnificência ao seu devoto para lhe alegrar, e Surya das esqueceu-se completamente de si em êxtase. (Bhakti-ratnakara 12.3908-10)

Os rituais de adhivasa na véspera do casamento foram realizados na casa de Krishna Das Sarakhela em Shaligrama. Todos os brahmanes de Bariagachi e Shaligrama estavam presentes.

O afortunado Surya Das Sarakhela entregou suas duas filhas para Nityananda Prabhu de acordo com os ritos religiosos e costume popular. (Bhakti-ratnakara 12.3983)

A pedido de Sachi Mata, Nityananda Prabhu permaneceu algum tempo após seu casamento em Shantipur antes de se mudar para Saptagram, onde permaneceu com Uddharan Datta, e então estabeleceu residência permanente em Khardaha nas margens do Ganges.

Jahnava Devi não teve filhos, mas Vasudha Devi, a Shakti de Nityananda, deu à luz a Virabhadra (ou Virachandra) Goswami e Ganga Devi, encarnações de Kshirodakashayi Vishnu e do rio Ganges, respectivamente. De acordo com o Gaura-ganoddesha-dipika (69), Madhavacharya, marido de Ganga Devi, é uma encarnação do rei Shantanu.

As glórias de Jahnava Devi
Virachandra Goswami, filho do Senhor Nityananda

Virabhadra Goswami foi inundado pela misericórdia de Jahnava Devi, tornando-se seu discípulo iniciado direto. Nityananda Das escreveu em seu Prema-vilasa que quando Virabhadra viu Jahnava em uma forma de quatro braços, sua mente foi alterada e ele decidiu aceitá-la como seu diksha guru.

Sem a misericórdia de Jahnava Devi, a energia de Nityananda Prabhu, ninguém é capaz de atravessar o oceano da vida material, nem obter o serviço de Nityananda Prabhu e entrar no serviço amoroso de seus adoráveis Gaurahari e Radha Krishna. Bhaktivinoda Thakura escreve no Kalyana-kalpa-taru:

“Ó Jahnava Devi! Seja misericordiosa com este servo hoje! Libere-me do meu sofrimento e me dê um lugar no barco dos seus pés de lótus para que eu possa ter certeza de que cruzarei o oceano de nascimento e morte. Você é a energia de Nityananda, é devotada a Krishna e meu guru. Por favor, conceda a este servo a árvore do desejo dos seus pés de lótus. O quão numerosas são as almas que você salvou; esse mendigo caído procura por um lugar aos seus pés.”

O mahajana Krishna Das em sua canção que começa com “Jaya Radhe, Jaya Krishna, Jaya Vrindavan”, ora pela misericórdia de Jahnava Devi após glorificar o nome, a morada e os associados de Krishna. “Lembrando dos pés de lótus de Jahnava Devi, o humilde Krishna Das canta os nomes do Senhor.”

As viagens de Jahnava Devi

Jahnava estava presente quando Narottama Das Thakura realizou um grande festival no vilarejo de Kheturi para instalar as deidades no dia do aparecimento de Chaitanya Mahaprabhu. E a instalação ocorreu sob sua direção. Ela também supervisionou e participou pessoalmente do preparo da primeira oferenda, bem como a ofereceu para as deidades. Ela serviu a prasada aos mahantas presentes.
O Senhor Balarama com suas esposas Varuni e Revati, Tota Gopinatha Mandir

Com grande satisfação, Jahnava Ishvari levantou-se cedo naquela manhã, tomou banho e fez sua meditação mântrica. Então, com grande entusiasmo, começou a cozinhar inúmeras preparações a base de vegetais. (Bhakti-ratnakara 10.686-7)

Todos os associados pessoais de Chaitanya Mahaprabhu da Bengala ficaram muito felizes ao ver Narottama Das. Jahnava Devi, a filha de Surya Pandita e esposa de Nityananda Prabhu, adorada em todo o universo, perita na distribuição da pérola de prema, ficou radiante ao ouvir seu nome. Sua alegria aumentou ao ver seu amor incomum por Krishna e sua renúncia. Por sua misericórdia, ela foi até Kheturi, satisfazendo a todos com a sua presença e concedendo seu darshan a todos. Como pode uma pessoa caída como eu descrever a natureza compassiva de Srimati Jahnava Devi? (Bhakti-ratnakara 1.429-34)

As viagens de Jahnava Devi são descritas no décimo primeiro Taranga de Bhakti-ratnakara. Na estrada de Kheturi até Braja, ela parou em um vilarejo próspero, onde liberou alguns criminosos e incrédulos ateístas e concedeu Krishna-prema a todos. Ao chegar em Vrindavana, avistou o samadhi de Gauri Das Pandita, o que a deixou em lágrimas. Em Vrindavana, os líderes da comunidade Vaishnava, como Jiva Goswami, Gopala Bhatta Goswami, Lokanatha Gosvami, Bhugarbha Goswami, Madhu Pandita, etc., vieram oferecer suas respeitosas saudações. Ao lado desses líderes, visitou os principais templos de Vrindavana — Madana Mohana, Govinda e Gopinatha – antes de ir até o Radha Kunda. Lá, encontrou-se com Raghunatha Das Goswami, que estava envolvido no cantar constante dos Santos Nomes, e cujo corpo era magro devido as suas austeridades.

Jahnava permaneceu no Radha Kunda por três dias desempenhando bhajana. Ela ouviu o som da flauta de Krishna  enquanto estava sentada nas margens do tanque e teve uma visão de Sri Krishna que a inundou com ondas de amor divino. O ghat onde Jahnava se banhou e teve esta visão é conhecido como Sri Jahnava Ghat. Então, ao lado dos Vaishnavas, partiu para o parikrama de Vraja-mandala. Durante este parikrama ela ouviu a aula de Jiva Goswami sobre Brihad-Bhagavatamrita.

Após sua visita à Braja, Jahnava retornou para Gauda-desha, onde visitou vários vilarejos. Ela passou três ou quatro dias em Kheturi (a casa de Narottama Das), algum tempo em Budhuri (a casa de Ramachandra Kaviraj no distrito de Murshidabad), no local de nascimento de Nityananda em Ekacakra (Birbhum), Katwa (onde Mahaprabhu tomou sannyasa e conheceu Yadunandana Acharya), Jajigrama (vilarejo de Srinivas Acharya), Shrikhanda (a casa de Raghunandan Thakura, filho de Narahari Sarkara Thakura), Navadwipa, Ambika, Saptagram (onde ela visitou a casa de Uddharan Datta), antes de finalmente retornar para Khardaha. Então, recontou a história de toda a sua viagem para Vasudha e Virabhadra Goswami.
Sri Jahnava Ghat

Pela misericórdia de Jahnava Devi, Paramesvari Das Thakura, o associado querido de Nityananda, teve a boa fortuna de ver Gopinatha unir-se a Radharani em Vrindavana. Quando ele retornou para Khardaha e contou o que havia visto para Jahnava e Vasudha, Jahnava foi inundada por êxtases amorosos. Ela o instruiu a ir imediatamente para o vilarejo de Satpur e instalar as deidades de Radha e Gopinatha.
Jahnava Devi organizou o casamento de Virabhadra com as duas filhas de Yadunandana Acharya, Srimati e Narayani, ambas as quais se tornaram discípulas de Jahnava.
A shakti de Nityananda, Srimati Jahnava Devi, desapareceu no shukla navami tithi de Vaishakh.

Tradução: Madhukari Radhika devi dasi
Revisão: Ramananda das (Felipe D’Aviz)
Fonte: BVML

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Aparecimento de Sri Gadadhara Pandita Goswami


Extraído de “Sri Chaitanya: His Life & Associates” por Srila Bhakti Ballabh Tirtha Maharaj


shri-radha-prema-rupa ya pura vrindavandeshvari
sa shri-gadadharo gaura-vallabhah panditakhyakah
nirnitah shri-Svarupair yo vraja-lakshmitaya yatha
pura vrindavane lakshmih shyamasundara-vallabha
sadya gaura-prema-lakshmih shri-gadadhara-panditah
radham anugata yat tal lalitapy anuradhika
atah pravishad esha tam gaura-candrodaye yatha

A encarnação do amor, anteriormente a rainha de Vrindavana, Radha, agora é o amado de Gaura chamado Srila Gadadhara Pandita. O próprio Svarupa Damodara declarou que ele era a deusa da fortuna de Vraja, a Lakshimi que anteriormente foi a amada de Shyamasundara em Vrindavana. Hoje, Ela se tornou a deusa da fortuna do amor para Gaura e é conhecida como Srila Gadadhara Pandita. Lalita, também conhecida como Anuradha, é a amiga mais próxima e confidente de Radha. Ela também se manifestou em Gadadhara, conforme mostrando na peça Chaitanya-candrodaya.
(Gaura-ganoddesha-dipika 147-150)

Gadadhara-tattva

gadadhara panditadi prabhura nija-shakti
tan sabhara carane mora sahasra pranati

Gadadhara Pandita e os outros são as energias do Senhor. Presto milhares de reverências aos seus pés. (Chaitanya Charitamrita 1.1.41)

"Chaitanya Mahaprabhu se manifesta em seis características, ou seja, dois tipos de guru, os devotos do Senhor, o próprio Senhor, Sua encarnação, Sua expansão e Sua energia. De acordo com o princípio da unidade e diferença simultâneas, todos Eles são identificados como o próprio Chaitanya Mahaprabhu.”
(Anubhashya no Chaitanya Charitamrita 1.1.37-45)

Aquela que foi Radha nos passatempos de Krishna tornou-se Srila Gadadhara Pandita Goswami em Gaura-lila. Quando Gaura manifesta Sua identidade com Narayana, Suas shaktis são Suas esposas Lakshimipriya e Vishnupriya. Ao identificar-se com Krishna, Sua shakti é Srila Gadadhara Pandita Goswami.

païcatattvatmakam krishnam
bhakta-rupa-Svarupakam
bhaktavataram bhaktakhyam
namami bhaktashaktikam

Ofereço minhas reverências  a Krishna que se manifesta em cinco características, como um devoto, uma expansão de um devoto, uma encarnação de um devoto, um devoto puro e como energia devocional.
Todas essas cinco características se manifestaram na encarnação de Chaitanya Mahaprabhu, e na Sua associação, elas executam com alegria o canto congregacional dos Santos Nomes. Embora Ele apareça nessas cinco formas, não há nenhuma real diferença entre elas. As distinções surgem devido ao Seu desejo de apreciar diferentes sabores devocionais.

Sri Gauranga, Nityananda, Advaita, Gadadhara e Srivasa formam o Pancha Tattva e, espiritualmente, não há diferença entre Eles. A verdade suprema possui ilimitados passatempos diferentes a fim de apreciar os diferentes sabores da relação transcendental e, portanto, Ele se separa nestas cinco formas, na de devoto, na manifestação devocional, na encarnação devocional, na energia devocional e no devoto puro.

jaya jaya nityananda-gadadharera jivana
jaya jaya advaitadi bhaktera sharana
Todas as glórias, todas as glórias, a vida de Nityananda e Gadadhara!
Todas as glórias, todas as glórias, ao abrigo de todos os devotos, liderados por Advaita!

Srila Bhaktisiddhanta Saraswati Goswami Thakura comenta “a vida de Gadadhara” da seguinte forma: “Srila Gadadhara Pandita Goswami é o chefe entre os devotos mais íntimos de Sri Chaitanya. Ele é o manancial de todo o shakti-tattva e está presente igualmente nas lilas de Mahaprabhu em Navadwipa e Nilachala. Sua residência na infância foi em Navadwipa; posteriormente, recebeu madhura-rasa na adoração à Radha e Govinda, tomam o abrigo de Gadadhara Pandita e são conhecidos como os devotos mais íntimos de Gauranga Mahaprabhu. Esses devotos não estão tão inclinados ao abrigo de Nityananda Prabhu e se engajam no serviço devocional puro no seu humor. Alguns dos devotos de Mahaprabhu, tais como Narahari, eram seguidores de Srila Gadadhara Pandita Goswami. Eles se refugiaram nele porque sabiam que era o associado mais querido e, portanto, digno do seu serviço. Devido a isso, alguns devotos chamam Chaitanya de ‘a vida de Nityananda’, enquanto outros o chamam de ‘a vida de Gadadhara.”
sannyas, foi viver em Jagannatha Puri, em um jardim ou tota à beira-mar. Os devotos puros que desejam entrar em

Primeiros anos de vida

Gadadhara Pandita nasceu no vilarejo de Beleti Gram no distrito de Chittagong na Bangladesh moderna em uma família de Varendra Brahmins em 1408 da era Shaka (1486 d.C.) em no dia de lua escura do mês de Vaishakh. Seu pai era Madhava Mishra e sua mãe Ratnavati Devi. Ele também tinha um irmão mais novo chamado Baninath. Ele pertencia a Kashyapa gotra. Viveu no vilarejo de Beleti até os doze anos e depois se mudou com a família para Navadwipa.
Srila Gadadhara Pandita Goswami permaneceu como brahmachari por toda a sua vida. Isvara Puripada ficou muito impressionado por sua indiferença em relação as prazeres mundanos e por seu afeto a ele, o instruiu no seu próprio trabalho, Krishna-lilamrita.
Enquanto Mahaprabhu se deliciava em seus passatempos como estudante, não havia nenhum estudante na cidade de Navadwipa que não tivesse medo de debater com ele. Mahaprabhu derrotava a posição de quem quer que fosse e depois demonstrava como essa mesma posição poderia ser defendida. Mukunda, Srivasa e outros que conheciam as alegrias do sentimento devocional tinham medo de se envolver nesses debates inúteis com Nimai Pandita e então, o evitavam. Certa vez, Nimai Pandita avistou Gadadhara e perguntou a ele a definição de liberação. Gadadhara respondeu de acordo com a escola Nyaya, dizendo que a liberação consiste na erradicação final de todas as misérias (atyantika duhkha-nivritti). Nimai procedeu para lhe mostrar como essa definição era inadequada. Os outros devotos ouvintes pensavam o quão maravilhoso seria se esse acadêmico tão brilhante se tornasse um devoto. (Chaitanya Bhagavat 1.10)
Após Mahaprabhu retornar de Gaya e começar a revelar as maravilhosas transformações do amor, todos os devotos ficaram espantados. Sriman Pandita foi o primeiro a ver os sintomas estáticos de Mahaprabhu e contou a todos, que ficaram muito felizes. Depois de Mahaprabhu decidir revelar sua verdadeira identidade para os devotos, Ele lhes disse para irem até a casa de Shuklambar Brahmachari. Gadadhara foi até a casa de Shuklambar, mas permaneceu discreto, porém, ao ver Mahaprabhu intoxicado pelo poder dos Santos Nomes e inundado por sattvikas, ele desmaiou. Então, Mahaprabhu lhe disse: “Gadadhara! Quanta boa fortuna você tem! Desde a sua infância, sua mente permaneceu fixa aos pés de lótus de Krishna. Enquanto isso, desperdicei minha vida em atividades inúteis. Embora eu obtivera o grande tesouro de um nascimento humano, pela minha infelicidade, eu não o usei." (Chaitanya Bhagavata 2.1)

Sempre que Mahaprabhu era inundado por Seus êxtases, Gadadhara o acalmava. Certo dia, enquanto Mahaprabhu chorava em separação, "Onde está Krishna? Onde está Krishna?", Gadadhara disse a ele: "O Senhor Krishna está escondido em Seu coração". Assim que ouviu isso, Mahaprabhu começou a arranhar o seu peito, mas por sorte, Gadadhara o impediu segurando Suas mãos e o acalmou, dizendo: “Krishna virá em breve, seja paciente.” Sachi ao notar o quão Gadadhara foi inteligente ao lidar com seu filho, pediu a ele que estivesse sempre ao Seu lado para protegê-lo. (Chaitanya Bhagavat 2.2.198-210)

Gadadhara recebe iniciação de Pundarika

Dada ocasião, Mahaprabhu chamou o nome de seu querido associado, Pundarika Vidyanidhi, dizendo: "Pundarika, meu pai!" e começou a chorar. Nenhum dos devotos presentes foi capaz de entender o que Mahaprabhu queria dizer. Ao ser questionado, Ele contou sobre Pundarika Vidyanidhi e explicou que em breve ele iria até Navadwipa Mayapur. Ao chegar, Pundarika desempenhou o papel de um grande desfrutador dos sentidos para dissimular a sua grandeza. Mukunda Datta era um antigo residente de Chittagong e conhecia Pundarika Vidyanidhi (anteriormente, Vrishabhanu, pai de Srimati Radharani). Um dia, ele disse a Srila Gadadhara Pandita Goswami que gostaria de apresentá-lo a um Vaishanava muito avançado e o levou até a casa de Pundarika. Mukunda apresentou um ao outro e Vidyanidhi começou a conversar alegremente com Gadadhara. No entanto, Gadadhara, que sempre foi indiferente aos prazeres sensuais desde muito jovem, começou a ter certas dúvidas sobre Pundarika Vidyanidhi ao notar os móveis caros ao seu redor, bem como lençóis luxuosos tão brancos quanto o leite, o aroma que perfumava o ambiente, o pan que ele mascava etc. Mukunda percebeu a desconfiança estampada no rosto de Gadadhara e decidiu lhe contar a real natureza devocional de Pundarika. Então, ele recitou um verso em glorificação a Krishna do Bhagavat:

aho bakiyam stana-kala-kutam
jighamsayapayayad apy asadhvi
lebhe gatim dhatry-ucitam tato’nyam
kam va dayalum sharanam prapadye

Que maravilhoso! A irmã de Bakasura, a malvada Putana, foi enviada em uma missão para matar Krishna. Ele bebeu o veneno kalakuta que havia sido misturado ao leite materno, e apesar de suas más intenções, atribuiu-lhe a posição de uma ama de leite (como Ambika Kilimba em Goloka). Quem é mais misericordioso do que Ele a quem eu poderia me abrigar? (SB 3.2.23)
Assim que Pundarika Vidyanidhi ouviu essa declaração, ele começou a chorar: “Ha Krishna!” e caiu no chão inconsciente. Sintomas de êxtase extraordinários começaram a aparecer no seu corpo. Srila Gadadhara Pandita Goswami ficou surpreso com a sua reação e começou a lamentar os pensamentos ofensivos que tinha tido minutos antes. Mais tarde, Mahaprabhu aconselhou Gadadhara de que a melhor forma de se livrar da ofensa seria receber iniciação de Pundarika Vidyanidhi, e então tornou-se seu discípulo.

O companheiro constante do Senhor
Srila Gadadhara Pandita Goswami era um companheiro constante de Mahaprabhu. Ele participou das atividades aquáticas de Mahaprabhu após a conversa de Jagai e Madhai, atuou na peça sobre Krishna lila na casa de Chandrasekhara, observou a grande epifania (maha-prakasha) em Srivasa Angan; Também estave presente durante a conversão de Kazi e quando Mahaprabhu recebeu sannyas; acompanhou Mahaprabhu até Puri e se juntou a ele na limpeza do templo Gundicha, banhou-se no Narendra Sarovara etc.
Na casa de Chandrasekhara, no primeiro ato da peça sobre os passatempos de Krishna em Vrindavana que Mahaprabhu encenou, Hari Das interpretou o papel do policial do vilarejo, Srivasa Pandita o de Narada Muni e Mahaprabhu o de Rukmini. No segundo ato, Gadadhara também vestido como uma mulher, ouviu de Mahaprabhu: “Gadadhara é parte da minha família de Vaikuntha." Depois, Mahaprabhu vestido como a energia primal, alegrou a todos na forma da mãe do universo; os devotos o glorificaram com hinos endereçados a Mãe Divina.

Kshetra-sannyas de Gadadhara


Srila Gadadhara Pandita Goswami foi viver em Puri como kshetra-sannyasi. Mahaprabhu lhe deu o serviço da deidade de Tota-Gopinatha e disse para viver no Yamesvara Tota, ou no jardim. Certa vez, quando Gadadhara ouviu que Nityananda havia chegado em Puri, ele lhe convidou para tomar a prasada de Tota-Gopinatha. Nityananda aceitou seu convite e trouxe um pouco de arroz da Bengala como uma oferta para Gopinatha. Gadadhara cozinhou o arroz juntamente com as folhas e legumes do jardim Yamesvara, e enquanto oferecia os alimentos para a deidade, Mahaprabhu também apareceu, o que lhe deu um grande prazer. Então, os três juntos alegremente tomaram a prasada.
(Chaitanya Bhagavat 3.10)

Quando Mahaprabhu quis ir até Vrindavana, Ramananda Raya e Sarvabhauma Bhattacharya usaram todos os meios à sua disposição para fazê-lo ficar em Puri. No terceiro mês de chaturmasya após sua partida de Navadwipa, todos os devotos bengalis foram para Puri com suas esposas para vê-lo. Após a limpeza do templo Gundicha e do Rathayatra, os devotos voltaram para casa. Quando estavam partindo, os devotos do vilarejo Kulina pediram a Mahaprabhu que descrevesse as características de um devoto. Então, Ele descreveu as diferenças entre um Vaishnava, um Vaishnava mais avançado e o mais avançado Vaishnava.
(Chaitanya Charitamrita 2.16.69-75)

Quando Mahaprabhu demonstrou uma maior determinação em ir até Vrindavana, os devotos finalmente lhe deram permissão para partir após o Vijaya-dashami. O rei Prataparudra ofereceu grande ajuda para tornar sua viagem mais tranquila. Ao atravessar o rio Citrotpala, Raya Ramananda, Mardaraja, Harichandana continuaram em sua companhia. Srila Gadadhara Pandita Goswami não conseguia tolerar a ideia de separação do Senhor e também quis permanecer com Ele, mas Mahaprabhu o lembrou do seu voto de permanecer em Jagannatha Puri e o proibiu de ir até Vraja. Gadadhara disse a ele: “Jagannath Puri é onde você estiver. Os meus votos de permanecer em Puri podem ir para o inferno." Novamente, Mahaprabhu lhe disse para não abandonar o seu serviço a Gopinatha. Gadadhara respondeu: “Ver os seus pés de lótus vale um milhão de serviços a Gopinatha.”
Quando Mahaprabhu disse: "Se você abandonar seus deveres com Gopinatha, estará cometendo um erro.”, Gadadhara respondeu que ele estava pronto para assumir a responsabilidade, mas que não incomodaria Mahaprabhu seguindo-o, ele poderia ir sozinho para a Bengala ver Sachi Mata. Fora os associados íntimos de Mahaprabhu, ninguém mais é capaz de compreender a extensão da devoção de Gadadhara Prabhu a Gauranga. O amor no caminho da devoção espontânea não é fácil de compreender. Gadadhara estava pronto para abandonar seus votos, seu serviço, tudo por causa de Mahaprabhu.
Ao chegarem em Cuttack, Mahaprabhu chamou Gadadhara e disse: “Sua decisão de quebrar seus devotos e deixar o seu serviço se tornou uma realidade. Se você vier comigo, isso o deixará muito feliz. Mas você deseja a sua própria felicidade ou a minha? Você me deixará infeliz se quebrar os seus votos de permanecer em Puri e de servir Gopinatha. Se você deseja a minha felicidade, retorne para Puri e retome seus votos. Isso é tudo o que tenho a dizer."
Ao ouvir as palavras de Mahaprabhu, Gadadhara caiu no chão inconsciente. Sarvabhauma Bhattacharya o confortou em relação a ordem de Mahaprabhu e o acompanhou até Puri.

Gadai-Gauranga

Devido à sua amável simplicidade, a esposa de Krishna, Rukmini, nem sempre conseguia compreender o Seu gracejo ao falar e ficava assustada. Assim como ela, Gadadhara nem sempre compreendia os gracejos ou a indiferença fingida de Mahaprabhu, o que o deixava perturbado. A natureza de Srila Gadadhara Pandita Goswami era simples e afetuosa. Em certa ocasião, Vallabha Bhatta foi visitar Mahaprabhu e os dois começaram uma conversa jocosa. Mahaprabhu ao notar que Vallabha Bhatta estava orgulhoso de sua erudição, distanciou-se dele e começou a encontrar defeitos em tudo o que ele dizia.

Vallabha respondeu a indiferença de Mahaprabhu começando a visitar Gadadhara e demonstrando um apego a ele. Mahaprabhu não gostava da relação de Gadadhara com Vallabha e também começou a demonstrar uma certa frieza em direção a ele. Esse comportamento fez com que Gadadhara sentisse medo de que Mahaprabhu poderia excluí-lo e caiu os Seus pés e começou a chorar. Mahaprabhu riu e abraçou Gadadhara, dizendo:

"Eu quero agitá-lo, mas você não fica agitado. Não disse nada com raiva, suportou tudo pacientemente. Sua mente não foi perturbada pelos meus truques. Por manter-se fixo em sua natureza simples, você me arrebatou.” Ninguém é capaz de descrever o caráter do amor estático de Gadadhara. Assim, Mahaprabhu recebeu o nome de Gadadhara-prananatha, “A vida e alma de Gadadhara”. Ninguém poderia descrever a misericórdia do Senhor em relação a Gadadhara; as pessoas cantam seus nomes juntos: Gadai-Gauranga.
(Chaitanya Charitamrita 3.7.157-160)

Após o desaparecimento de Mahaprabhu, Srila Gadadhara Pandita Goswami permaneceu neste mundo por onze meses. No Bhakti-ratnakara, Narahari Chakravarti descreve o terrível sofrimento de Gadadhara devido a separação de Mahaprabhu. Ele permaneceu vivo apenas para ver Srinivas Acharya.
Ao repetir o nome de Gaurasundara com os olhos fechados, seus suspiros eram quentes como chamas. Somente o Senhor sabe como Gadadhara Pandita sofreu com a ausência de Gauranga. Seu corpo imóvel permaneceu vivo apenas para que ele pudesse conceder sua misericórdia sobre Srinivas Acharya.
(Bhakti-ratnakara 3.142-4)

Srila Gadadhara Pandit Goswami desapareceu em Puri em um dia de lua escura de Jyestha em 1456 da era Shaka (1535 d.C.).

Tradução: Madhukari Radhika devi dasi
Fonte: BVML

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Documentário sobre Srila Bhakti Ballabh Tirtha Goswami Maharaj




Caros devotos da Vrinda,

Em honra ao desaparecimento de Srila Bhakti Ballabh Tirtha Goswami Maharaj, compartilhamos novamente o documentário que seus discípulos produziram.
Em uma aula matinal durante kartika 2016, Srila Gurudeva Paramadvaiti nos mostrou um DVD feito pelos discípulos de Srila Bhakti Ballabh Tirtha Goswami, seu mais recente siksa guru.
Srila Guru Maharaj sugeriu que todos os yatras da Vrinda ao redor do mundo tenham esse DVD, pois ele é um exemplo de devoção ao mestre espiritual.

O arquivo encontra-se na minha conta do Google Drive, e pode ser baixado e compartilhado com os devotos dos seus países no link abaixo:

Download

Manterei o arquivo disponível até junho de 2017.

Dandavats,
Rasa Sthali Dasi da Bulgária


Mensagem de Srila Bhakti Aloka Paramadvaiti Maharaj, fundador da VRINDA Mission e Facilitador da World Vaishnava Association


Recebi com grande dor a maravilhosa notícia de que nosso querido Guru Ji voltou para a Nitya Lila de Sri Sri Radha Krishna. Não há comparação com o quão misericordioso ele era - perdemos um santo, bem como o presidente da World Vaishnava Association, serviço mantido por mais de 15 anos.
Todos os membros devotos da Família Vrinda oferecem suas reverências a Param Pujyapad Srila Bhakti Ballabh Tirth Goswami Maharaj e a todos os seus amados irmãos espirituais e discípulos. Agora, ele pode se reunir com seu amado Srila Gurudeva Param Pujyapad Srila Bhakti Dayita Madhav Goswami Maharaj.
Informamos que em todos os nossos templos ao redor do mundo serão simultaneamente realizados festivais em honra ao seu desaparecimento no mesmo dia em que esse estiver sendo realizado em Mayapur.

Aspirando a ser um servo do servo dos servos.
Swami B.A. Paramadvaiti

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Aparecimento de Sri Shyamananda Pandita

Extraído de "Sri Chaitanya: His Life & Associates" por Srila Bhakti Ballabh Tirtha Maharaj


Shyamananda encontra a tornozeleira de Srimati Radharani
Sri Shyamananda Prabhu foi servo de um servo de Subala em Krishna-lila. Era discípulo de Hridayananda ou Hriday Chaitanya, esse discípulo de Gauri Das Pandit. Gauri Das é Subala em Krishna-lila.

yam loka bhuvi kirtayanti hridayanandasya shishyam priyam
sakhye shri-subalasya yam bhagavatah preshthanushishyam tatha
sa shriman rasikendra-mastaka-manish citte mamaharnisham
shri-radhapriya-narma-marmasu rucim sampadayan bhasatam


Sri Shyamananda é conhecido neste mundo como um discípulo querido de Hridayananda; grandioso discípulo de Subala Sakha, o mais querido amigo do Senhor Supremo; ele é a joia dos apreciadores do êxtase sagrado. Que ele apareça dia e noite em minha mente, trazendo uma apreciação da essência das alegrias do amado de Sri Radha.
(Shyamananda-shataka)

Shyamananda Prabhu nasceu em uma noite de lua cheia de Chaitra em 1456 da era Shaka (1534 d.C.) na cidade de Dharenda Bahadurpura, próximo a estação de trem Kharigapura em Medinipura. Seus pais são Sri Krishna Mandala e Durika. A cidade natal de Krishna Mandala é Dandeshvara, localizada às margens do rio Suvarnarekha. A instrução a seguir é encontrada no  Gaudiya Vaishnava Abhidhana: “Sri Krishna Mandala vivia em um local chamado Ambuwa, próximo à Dandeshvara. Anteriormente, viveu em Gauda (parte da Bengala localizada às margens do rio Bhagirathi) e só mais tarde mudou-se para Dandeshvara, hoje fronteira de Orissa. Os discípulos de Shyamananda estabeleceram cinco principais postos nas cidades de Dharenda, Bahadurapura, Rayani, Gopiballabhapura e Nrisinghapura.”
Shyamananda Prabhu nasceu na subcasta Sadgopa, que se encaixa na categoria de jala-cala, ou seja, brahmanes que são autorizados a levar a água tocada por seus membros. Logicamente,  um Vaishnava está além das qualidades materiais e pode nascer em uma família de qualquer raça ou casta. Aquele que pensa mal dos Vaishnavas ou os julga com base em sua ração ou casta está destinado ao inferno.

arcye shiladhir gurushu naramatir vaishnave jati-buddhir
vishnor va vaishnavanam kali-mala-mathane padatirthe’mbubuddhih
shrivishnor namni mantre sakala-kalushahe shabda-samanya-buddhir
vishnau sarveshvareshe tad-itara-samadhir yasya va naraki sah


Aquele que considera a deidade uma mera pedra, o guru um ser humano comum, ou o Vaishanava um membro de uma determinada casta ou raça, que considera a água sagrada que banhou Vishnu ou os pés de um Vaishnava e pode destruir todos os pecados da era de Kali, uma água comum, que pensa que o nome ou mantra de Visnhu, que destrói todos os males, é igual a qualquer outro som, ou aquele que considera Vishu igual a qualquer outro, possui uma natureza infernal.
(Padma-purana)

Aquele que nasce em uma família de classe baixa não é desqualificado para praticar serviço devocional, nem aquele que nasce em uma família brahmínica de classe elevada ou pura é automaticamente qualificado para tal serviço. Qualquer um que se engaje na adoração do Senhor é uma grande pessoa; quem não O adora é rejeitado.
(Chaitanya Charitamrita 3.4.66-7)

na me bhaktash caturvedi mad-bhaktah shvapacah priyah
tasmai deyam tato grahyam sa ca pujyo yatha hy aham
Apenas conhecer os quatro Vedas não torna ninguém um devoto. Uma pessoa sem casta que é meu devoto é querida por mim. Devemos trocar presentes e alimentos, etc., com tal devoto porque ele é tão venerável quando Eu.
(Citação do Haribhaktivilasa.)

Antes do nascimento de Shyamananda, seus pais perderam vários filhos e juraram entregar seu próximo filho a Visnhu, caso ele sobrevivesse. Tendo sofrido tanto com essas perdas, o primeiro nome de Shyamananda foi Duhkhi, ou “infeliz”, para afastar uma posterior angústia.

Durika e Sri Krishna Mandala, pais de Shyamananda, mudaram-se para Dandeshvara. Seu pai era o melhor da casta Sadgopa, de caráter impecável. Krishna era tudo para ele e os devotos de Krishna são muito queridos. Não descreveremos as virtudes dos seus pais devido ao receio de aumentar o volume desse livro. Mas eles viveram anteriormente em Dharenda e Bahadurapura e algumas pessoas diziam que Shyamananda havia nascido ali. Nada podia impedir o seu nascimento, e ele nasceu após seus pais perderem muitos outros filhos. Devido a suas perdas anteriores, os seus pais o receberam com tristeza e o chamaram de Duhkhi.
(Bhakti-ratnakara 1.351-5, 359)
Sri Shyamasundara, a deidade adorada de Shyamananda

Seus pais realizaram todos os rituais apropriados, como a primeira ingestão de alimentos sólidos, corte do cabelo etc. Conforme crescia, passou a estudar a gramática do sânscrito. Seus pais ficaram muito felizes ao observar seus talentos e tendência religiosa. Após ouvir atentamente dos devotos as glórias de Gauranga e Nityananda, repetia-as para outras pessoas. Ao ouvir as atividades de Gaura-Nitai ou de Radha e Krishna, lágrimas fluíam como ondas de seus olhos. Também servia dedicadamente seus pais e eles lhe disseram para receber iniciação para se comprometer plenamente com o serviço ao Senhor. Duhkhi concordou e disse a eles que desejava receber disksa de Hriday Chaitanya, discípulo de Gauri Das Pandita, associado de Nityananda e Gauranga. Ao ir para Kalna com esse propósito, ele também teria a boa fortuna de ver o Ganges e nele se banhar, e por isso, seus pais alegremente o autorizaram a partir.


Ao chegar em Ambika Kalna, se prostrou aos pés de Hriday Chaitanya, que após conhecê-lo, com felicidade lhe entregou o mantra de Krishna e lhe deu o nome de Krishna Das. A partir desse momento, Duhkhi passou a ser conhecido como Duhkhi Krishna Das. Hriday Chaitanya ordenou-lhe que fosse para Vrindavana praticar bhajana. Embora ele não gostasse de se separar de seu Gurudeva, Duhkhi Krishna Das partiu para Vraja, primeiramente visitando Navadwipa e outros locais em Gauramandala, onde buscou as bênçãos dos Vaishnavas. Por fim, após passar muito tempo em peregrinação, chegou à Vrindavana, onde tornou-se completamente absorto na adoração à Radha e Shyamasundar.

Em Vrindavana, Duhkhi Krishna Das estudou as escrituras Vaishnavas sob a guia de Sri Jiva Goswami, erudito proeminente da sampradaya. Hriday Chaitanya ao ouvir sobre o entusiasmo com o qual Duhkhi Krishna Das estava conduzindo sua vida devocional em Vraja, escreveu uma carta para Jiva Goswami dizendo que Duhkhi deveria considerar Jiva uma extensão de si mesmo. Jiva concedeu títulos para seus três alunos mais proeminentes, Srinivas, Narottama e Duhkhi Krishna Das, concedendo o nome de Shyamananda ao último. O motivo desse nome é que porque ele proporcionou muita alegria à Radha e Shyamasundara.

Enquanto em Vrindavan, recebeu o nome de Shyamananda por ter proporcionado muito alegria a Shyamasundra. Jiva ao observar suas atividades encantadoras, manteve-o por perto e o instruiu nas escrituras Vaishnavas.
(Bhakti-ratnakara 1.401-2)

Jiva Goswami enviou Srinivas Acharya, Narottama Das Thakur e Shyamananda para a Bengala com as escrituras Vaishnavas em 1504 da era Shaka (1582-3 d.C.). A ideia era difundir os ensinamentos encontrados nesses livros por toda a Bengala e Orissa. Os eventos ocorridos após Vira Hambira pegar os os livros roubados em Vishnupura constam no capítulo sobre Srinivas Acharya.
Narottama partiu rumo ao norte da Bengala e Shyamananda para Orissa. Nesta época, o distrito de Midnapore estava sob o domínio do rei de Orissa. Atualmente, há um braço da Gaudiya Math na cidade de Midnapore com o nome de Shyamananda Gaudiya Matha a fim de preservar sua memória sagrada.

A misericórdia especial de Radharani com Shyamananda
Shyamanda devolve a tornozeleira para Srimati Radharani
Embora Shyamananda Prabhu fosse um discípulo iniciado de Hriday Chaitanya, seu guru confiou os seus cuidados a Jiva Goswami Prabhu. Através da associação e do serviço prestado a Jiva, Shyamananda desenvolveu um gosto por servir Radha e Krishna no humor conjugal. Hriday Chaitanya Prabhu era discípulo de Gauri Das Pandit, um dos doze Gopals, Subala Sakha. Ele adorava Gaura-Nitai no amor de amizade. Aqueles que pensam que Shyamananda cometeu ofensa contra o seu mestre espiritual por abandonar esse humor e por tentar servir diretamente Krishna em um humor mais elevado, estão errados. O humor de amizade está dentro do humor conjugal. Se um discípulo progride mais na vida espiritual, ele aumenta a reputação do seu mestre.

Um incidente extraordinário, ocorrido em Vrindavana antes de Jiva ordená-lo a voltar para Orissa, demonstra o quão Shyamananda era querido por Radharani. Certo dia, Shyamananda Prabhu estava varrendo a Rasa-mandala em Vrindavan, absorvido em transe extático. De repente, por misericórdia transcendental de Radharani, encontrou sua tornozeleira caída no chão. Em êxtase, colocou a peça na sua testa, o que deixou uma marca, até hoje preservada pelos discípulos descendentes de Shyamananda. Ela é conhecida como nupura-tilaka. 


A pregação de Shyamananda Prabhu

Narottama Thakur e Shyamananda pregaram especialmente a mensagem de Mahaprabhu através de kirtanas. Srinivas cantava os kirtanas em um estilo chamado Manohara-sahi, Narottama em Gariana-hati e Shyamananda em Reneti. Ele encantava os os ouvintes com seu canto sincero de kirtana. Estes estilos já não existem mais.
Como resultado da sua pregação em Orissa, muitos muçulmanos se tornam discípulos de Shyamananda. O mais importante dos seus inúmeros discípulos foi Rasika Murari. Rasikananda era filho de Achyutananda, o zamindar da vila Rohini. Ele tinha outro nome, Murari, portanto, era mais comumente conhecido como Rasika Murari. Ele era um pregador muito poderoso, e sua fama ainda é difundida nas vilas de Orissa. Uma lista com alguns dos proeminentes discípulos de Shyamananda  é citada no Bhakti-ratnakara:

Shyamananda fez discípulos em todos os lugares. Uma pessoa pode ser purificada por ouvir seus nomes: Radhananda, Purushottam, Manohara, Cintamani, Balabhadra, Jagadishvara, Uddhava, Akrura, Madhuvana, Govinda, Jagannath, Gadadhara, Anandananda e Radhamohana. Shyamananda estava constantemente imerso nas alegrias de kirtana na associação desses discípulos. Poetas descreveram seus passatempos maravilhosos para o prazer de todos.
(Bhakti-ratnakara 15.62-66)

Além destes discípulos, Shyamananda converteu um yogi chamado Damodara. Narahari Chakravarti  escreveu o seguinte relato sobre essa conversão:

Havia um praticante de yoga chamado Damodara. Shyamananda misericordiosamente inundou-lhe com rasa devocional. Após se tornar seu discípulo, Damodara chorou e cantou os nomes de Nitai-Chaitanya. Ele permanecei intocado pela sua absorção em êxtase. Ele dançou, clamando "Bhakti é o melhor de todos!" Após liberar Damodara, Shyamananda continuou viajando, distribuindo a joia da devoção para todos.
(Bhakti-ratnakara 15.55-8)
Tilaka-sthana, local de manifestação da tilaka de Shyamananda
Shyamananda realizou um grande festival em Dharenda com Rasika Murari e Damodara, ainda lembrado nos dias de hoje. Ao deixar este mundo, Shyamananda entregou o serviço de Govinda em Gopivallabhapura. Os discípulos de Shyamananda e seus descendentes ainda adoram sua deidade de Radha-Shyamasundara em Vrindavana. Este templo é um dos principais locais de peregrinação em Vrindavana.
Shyamananda Prabhu viveu seus últimos dias em Nrisinghapura em Orissa, onde continuou pregando o Vaishnavismo. Seus passatempos terrenos chegaram ao fim no primeiro dia da lua minguante no mês de Asharh, em 1552 da era de Shaka (1630 d.C.).




Leia mais sobre Sri Rasikananda Deva Goswami

Tradução: Madhukari Radhika devi dasi
Revisão: Ramananda das (Felipe D’Aviz)
Fonte: BVML